Lesão de Via Biliar Pós-Colecistectomia: Diagnóstico e Manejo

Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2025

Enunciado

Uma paciente do sexo feminino, 70 anos, com quadro de colecistite aguda calculosa complicada, foi submetida a colecistectomia videolaparoscópica de urgência. Evoluiu com icterícia no 3º dia pós-operatório, suspeitando-se de lesão iatrogênica de via biliar. Sobre esse cenário, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A abordagem imediata por CPRE (colangiopancreatografia retrógrada endoscópica) ou colangiografia pode auxiliar no diagnóstico e, eventualmente, no reparo (prótese ou stent).
  2. B) A lesão de via biliar não ocorre em colecistectomia videolaparoscópica, sendo exclusiva da cirurgia aberta.
  3. C) O melhor a fazer é observar clinicamente por 30 dias antes de investigar lesão biliar.
  4. D) Não há possibilidade de reparar a via biliar por via endoscópica em nenhum caso.

Pérola Clínica

Icterícia pós-colecistectomia → Suspeitar de lesão iatrogênica de via biliar; CPRE é ferramenta diagnóstica e terapêutica.

Resumo-Chave

A lesão iatrogênica de via biliar é uma complicação temida da colecistectomia. A suspeita clínica (icterícia, dor, febre no pós-operatório) deve levar à investigação imediata, sendo a CPRE ou a colangiorressonância fundamentais para o diagnóstico e planejamento terapêutico.

Contexto Educacional

A lesão iatrogênica de via biliar (LIVB) é uma das complicações mais graves da colecistectomia, seja por via laparoscópica ou aberta, com incidência em torno de 0,3-0,7%. Fatores de risco incluem inflamação aguda (colecistite), anatomia anômala e sangramento intraoperatório. O reconhecimento precoce é fundamental para um bom prognóstico. A apresentação clínica pode ser intraoperatória ou, mais comumente, no pós-operatório, com icterícia, dor abdominal, febre ou débito biliar pelo dreno. A investigação inicial geralmente envolve ultrassonografia e exames laboratoriais. Para o diagnóstico definitivo e planejamento terapêutico, a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) é o exame não invasivo de escolha, enquanto a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) oferece a vantagem de ser diagnóstica e terapêutica. O manejo depende da classificação da lesão (ex: Strasberg), do tempo de diagnóstico e da expertise local. Lesões menores, como fístulas do ducto cístico, podem ser tratadas com a passagem de stent via CPRE. Lesões mais complexas, como transecções do ducto hepático comum, frequentemente necessitam de reconstrução cirúrgica, sendo a hepaticojejunostomia em Y de Roux o procedimento de escolha.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de uma lesão de via biliar no pós-operatório?

Os sinais clássicos incluem icterícia, colúria (urina escura), acolia fecal (fezes claras), dor abdominal persistente, febre e leucocitose. A elevação de bilirrubinas e enzimas canaliculares (fosfatase alcalina, GGT) também é um forte indicativo.

Qual o papel da CPRE no tratamento da lesão de via biliar?

A CPRE é fundamental tanto para o diagnóstico, ao mapear a anatomia biliar, quanto para a terapêutica. Em casos selecionados, como fístulas de baixo débito ou estenoses, a passagem de um stent ou prótese biliar pode resolver a lesão de forma minimamente invasiva.

Quando a cirurgia de reconstrução é necessária para uma lesão biliar?

A reconstrução cirúrgica, geralmente uma hepaticojejunostomia em Y de Roux, é indicada para lesões complexas, como transecções completas do ducto hepático ou estenoses que não respondem ao tratamento endoscópico. O momento da cirurgia depende do tipo de lesão e da condição do paciente.

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