Claretiano - Centro Universitário de Rio Claro (SP) — Prova 2025
Uma paciente do sexo feminino, 70 anos, com quadro de colecistite aguda calculosa complicada, foi submetida a colecistectomia videolaparoscópica de urgência. Evoluiu com icterícia no 3º dia pós-operatório, suspeitando-se de lesão iatrogênica de via biliar. Sobre esse cenário, assinale a alternativa correta:
Icterícia pós-colecistectomia → Suspeitar de lesão iatrogênica de via biliar; CPRE é ferramenta diagnóstica e terapêutica.
A lesão iatrogênica de via biliar é uma complicação temida da colecistectomia. A suspeita clínica (icterícia, dor, febre no pós-operatório) deve levar à investigação imediata, sendo a CPRE ou a colangiorressonância fundamentais para o diagnóstico e planejamento terapêutico.
A lesão iatrogênica de via biliar (LIVB) é uma das complicações mais graves da colecistectomia, seja por via laparoscópica ou aberta, com incidência em torno de 0,3-0,7%. Fatores de risco incluem inflamação aguda (colecistite), anatomia anômala e sangramento intraoperatório. O reconhecimento precoce é fundamental para um bom prognóstico. A apresentação clínica pode ser intraoperatória ou, mais comumente, no pós-operatório, com icterícia, dor abdominal, febre ou débito biliar pelo dreno. A investigação inicial geralmente envolve ultrassonografia e exames laboratoriais. Para o diagnóstico definitivo e planejamento terapêutico, a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) é o exame não invasivo de escolha, enquanto a colangiopancreatografia retrógrada endoscópica (CPRE) oferece a vantagem de ser diagnóstica e terapêutica. O manejo depende da classificação da lesão (ex: Strasberg), do tempo de diagnóstico e da expertise local. Lesões menores, como fístulas do ducto cístico, podem ser tratadas com a passagem de stent via CPRE. Lesões mais complexas, como transecções do ducto hepático comum, frequentemente necessitam de reconstrução cirúrgica, sendo a hepaticojejunostomia em Y de Roux o procedimento de escolha.
Os sinais clássicos incluem icterícia, colúria (urina escura), acolia fecal (fezes claras), dor abdominal persistente, febre e leucocitose. A elevação de bilirrubinas e enzimas canaliculares (fosfatase alcalina, GGT) também é um forte indicativo.
A CPRE é fundamental tanto para o diagnóstico, ao mapear a anatomia biliar, quanto para a terapêutica. Em casos selecionados, como fístulas de baixo débito ou estenoses, a passagem de um stent ou prótese biliar pode resolver a lesão de forma minimamente invasiva.
A reconstrução cirúrgica, geralmente uma hepaticojejunostomia em Y de Roux, é indicada para lesões complexas, como transecções completas do ducto hepático ou estenoses que não respondem ao tratamento endoscópico. O momento da cirurgia depende do tipo de lesão e da condição do paciente.
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