UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020
Paciente jovem, 35 anos, foi submetido à colecistectomia videolaparoscópica de urgência devido à colecistite aguda. Estava com 15.900 leucócitos. TGO 188. TGP 150 e o ultrassom mostrava espessamento da parede da vesícula com cálculo de 2,5 cm no infundíbulo e líquido perivesicular. No pós-operatório imediato, ele evoluiu com icterícia. O diagnóstico mais provável é:
Icterícia no pós-operatório imediato de colecistectomia, especialmente com alterações laboratoriais e ultrassonográficas prévias, sugere lesão iatrogênica da via biliar.
O desenvolvimento de icterícia no pós-operatório imediato de uma colecistectomia, especialmente em um contexto de colecistite aguda e inflamação local, é altamente sugestivo de uma lesão iatrogênica da via biliar principal, uma complicação grave da cirurgia.
A colecistectomia videolaparoscópica é um procedimento cirúrgico comum, mas não isento de complicações. A lesão iatrogênica da via biliar é uma das intercorrências mais graves, com morbidade significativa e impacto na qualidade de vida do paciente. Residentes devem estar vigilantes para o diagnóstico precoce, especialmente em casos de colecistite aguda, onde a inflamação e distorção anatômica aumentam o risco. O quadro clínico de icterícia no pós-operatório imediato de uma colecistectomia, como descrito na questão, é um forte indicativo de lesão da via biliar. Outros sinais incluem dor abdominal, febre e alterações laboratoriais (elevação de bilirrubinas, TGO/TGP). A identificação precoce é crucial para o manejo adequado, que pode envolver desde drenagem biliar até reintervenção cirúrgica complexa. É importante diferenciar essa complicação de outras causas de icterícia pós-operatória, como a síndrome de Mirizzi (que é uma compressão extrínseca pré-existente) ou uma hepatite infecciosa (menos provável no pós-operatório imediato sem outros fatores de risco). A alta suspeição clínica e a investigação por exames de imagem, como a colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM), são essenciais para confirmar o diagnóstico e planejar o tratamento.
Os sinais e sintomas podem incluir icterícia, dor abdominal, febre, náuseas, vômitos, colúria, acolia fecal e elevação de enzimas hepáticas e bilirrubinas, geralmente surgindo no pós-operatório imediato ou precoce.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente, exames laboratoriais para avaliar função hepática e bilirrubinas, e exames de imagem como ultrassonografia, tomografia e, principalmente, colangiopancreatografia por ressonância magnética (CPRM) ou colangiografia endoscópica (CPRE) para confirmar e localizar a lesão.
A síndrome de Mirizzi é uma complicação pré-operatória ou intraoperatória onde um cálculo impactado no ducto cístico ou infundíbulo comprime o ducto hepático comum, causando icterícia. A lesão iatrogênica, por outro lado, é um dano direto à via biliar durante o procedimento cirúrgico, sendo uma complicação pós-operatória.
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