FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Bebé de 3 meses de idade chega ao serviço de autópsia com história significativa de pneumonia e choque séptico. O levantamento radiológico completo do esqueleto é realizado e um dos filmes é retratado a seguir. Qual é a melhor interpretação dessa radiografia de extremidade inferior?
Bebê com história de choque séptico e lesão óssea em autópsia → Considerar lesão iatrogênica por procedimentos invasivos.
Em um bebê com histórico de choque séptico e submetido a autópsia, a presença de uma lesão óssea em radiografia de extremidade inferior, sem evidência clara de trauma acidental ou doença óssea primária, deve levantar a forte suspeita de lesão iatrogênica. Isso pode incluir fraturas ou outras lesões resultantes de procedimentos médicos invasivos, como punções venosas ou tentativas de acesso vascular em situações de emergência.
Lesões iatrogênicas em neonatos e lactentes, embora indesejáveis, são uma realidade em ambientes de cuidados intensivos, especialmente em casos de doenças graves como pneumonia e choque séptico que exigem múltiplas intervenções. O reconhecimento dessas lesões é fundamental, não apenas para a compreensão da causa da morte em autópsias, mas também para a melhoria contínua das práticas clínicas. A fragilidade óssea em bebês, combinada com a urgência e complexidade dos procedimentos, aumenta o risco de tais ocorrências. Residentes devem estar cientes de que nem toda lesão é resultado de trauma não acidental. A interpretação de radiografias esqueléticas em bebês falecidos requer um conhecimento aprofundado da anatomia pediátrica e das possíveis etiologias das lesões ósseas. A história clínica detalhada, incluindo todos os procedimentos realizados, é indispensável para correlacionar os achados radiológicos. Lesões iatrogênicas podem variar desde pequenas fraturas até lesões mais complexas, e sua identificação é crucial para a documentação completa do caso e para evitar interpretações errôneas que possam levar a conclusões equivocadas sobre a causa da morte ou a suspeitas de abuso. O contexto de autópsia em um bebê com choque séptico sugere que o paciente passou por um período de doença grave e provavelmente por múltiplos procedimentos invasivos. A análise radiológica deve, portanto, considerar a possibilidade de lesões relacionadas a essas intervenções. A diferenciação entre lesões iatrogênicas, traumáticas e congênitas é um desafio diagnóstico que exige expertise e uma abordagem sistemática, garantindo que todas as possibilidades sejam exploradas antes de se chegar a uma conclusão. A compreensão desses achados é vital para a formação de médicos legistas, pediatras e radiologistas.
Lesões iatrogênicas em bebês podem ser causadas por uma variedade de procedimentos, incluindo tentativas de acesso vascular (punções venosas ou arteriais), intubação, manobras de reanimação, e até mesmo posicionamento inadequado. Fraturas de costelas, clavícula ou ossos longos podem ocorrer durante esses procedimentos, especialmente em neonatos e lactentes com ossos mais frágeis.
A diferenciação exige a correlação dos achados radiológicos com a história clínica detalhada. Lesões de parto geralmente ocorrem em locais específicos (clavícula, úmero) e são agudas. Fraturas traumáticas podem ter padrões específicos. Lesões iatrogênicas estão frequentemente associadas a locais de intervenção médica e podem ter características radiológicas que sugerem um mecanismo de lesão relacionado a um procedimento.
O levantamento radiológico completo do esqueleto é crucial em autópsias pediátricas para identificar lesões ósseas que podem não ser visíveis macroscopicamente. Ele ajuda a determinar a causa da morte, a identificar traumas (acidentais, não acidentais ou iatrogênicos) e a documentar achados que podem ser relevantes para investigações médico-legais.
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