HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2023
Uma mulher de 30 anos realizou endoscopia digestiva alta devido à dor epigástrica há 3 semanas e perda do apetite. Segue o laudo do procedimento: Introdução do gastroscópio sem dificuldades pelo músculo cricofaríngeo. Mucosa esofágica sem alterações em todo seu trajeto. Transição esofagogástrica localizada ao nível do pinçamento diafragmático. Câmara gástrica sem resíduos alimentares e pregueado mucoso preservado. Na grande curvatura do corpo gástrico distal, observa-se lesão elevada de 2,5 cm, arredondada, recoberta por mucosa normal (aspecto submucoso), endurecida ao toque e pouco móvel. Biópsias endoscópicas foram realizadas. Mucosa do antro sem alterações. Piloro prévio e centrado. Bulbo duodenal sem deformidades. Mucosa bulbar sem alterações. Segunda porção duodenal de fácil acesso e sem alterações endoscópicas. O exame anatomopatológico realizado nos fragmentos obtidos através das biópsias endoscópicas revelou tratar-se de mucosa com aspecto histológico normal.Diante do laudo apresentado, qual é a conduta adequada?
Lesão gástrica submucosa em EDA com biópsia normal → Ecoendoscopia (EUS) com PAAF para diagnóstico tecidual.
Lesões gástricas com aspecto submucoso e mucosa normal à endoscopia, cujas biópsias superficiais são negativas, requerem investigação mais aprofundada. A ecoendoscopia (EUS) é o método de escolha, pois permite avaliar as camadas da parede gástrica e realizar punção aspirativa por agulha fina (PAAF) para obter material para diagnóstico histopatológico.
Lesões gástricas submucosas são achados relativamente comuns em endoscopias digestivas altas, apresentando-se como elevações recobertas por mucosa normal. A preocupação principal é diferenciar lesões benignas de malignas, como os Tumores Estromais Gastrointestinais (GIST), que possuem potencial maligno variável. A epidemiologia dos GISTs mostra que são os sarcomas mais comuns do trato gastrointestinal. O diagnóstico dessas lesões é desafiador porque as biópsias endoscópicas convencionais, que coletam apenas amostras da mucosa, são frequentemente inconclusivas. Nesses casos, a ecoendoscopia (EUS) é o exame de escolha. A EUS permite uma avaliação detalhada das camadas da parede gástrica, determinando a origem da lesão e suas características ecográficas. Mais importante, a EUS possibilita a realização de punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom, que obtém material para análise histopatológica e imuno-histoquímica, essencial para o diagnóstico definitivo. A conduta subsequente depende do diagnóstico histopatológico. Lesões benignas podem ser apenas acompanhadas, enquanto GISTs, dependendo do tamanho e características de risco, podem necessitar de ressecção cirúrgica. A tomografia computadorizada é útil para estadiamento de doença avançada, mas não para o diagnóstico inicial da natureza da lesão submucosa.
As lesões submucosas se originam nas camadas mais profundas da parede gástrica (submucosa, muscular própria). As biópsias endoscópicas convencionais coletam apenas amostras da mucosa, não atingindo a lesão, resultando em laudos de mucosa normal.
A EUS permite visualizar as diferentes camadas da parede gástrica e determinar a origem da lesão (ex: muscular própria, submucosa). Além disso, possibilita a realização de punção aspirativa por agulha fina (PAAF) guiada por ultrassom, obtendo material para diagnóstico histopatológico.
Os tumores estromais gastrointestinais (GIST) são os mais comuns, mas outras lesões incluem leiomiomas, schwannomas, lipomas, tumores neuroendócrinos e cistos. O diagnóstico definitivo é histopatológico, geralmente obtido por PAAF guiada por EUS.
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