Lesão Esplênica Grau IV: Angioembolização em Pacientes Estáveis

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente com lesão esplênica traumática grau IV pela AAST (The American Association for the Surgery of Trauma) sem alteração vascular na tomografia de abdômen, mantendo estabilidade hemodinâmica, sem sinais de peritonite, tem como melhor próxima conduta:

Alternativas

  1. A) Videolaparoscopia
  2. B) Laparotomia exploradora
  3. C) Observação clínica em unidade de terapia intensiva
  4. D) Arteriografia com angioembolização profilática de artéria esplênica

Pérola Clínica

Lesão esplênica grau IV AAST, hemodinamicamente estável, sem peritonite, sem alteração vascular na TC → Angioembolização profilática.

Resumo-Chave

Em pacientes com lesão esplênica traumática de alto grau (IV ou V pela AAST) que estão hemodinamicamente estáveis, sem sinais de peritonite e sem evidência de sangramento ativo ou pseudoaneurisma na tomografia, a arteriografia com angioembolização profilática da artéria esplênica é a melhor conduta. Isso visa reduzir o risco de sangramento tardio e aumentar a taxa de sucesso do manejo não operatório, preservando o baço.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa comum de lesões esplênicas, e o manejo dessas lesões evoluiu significativamente nas últimas décadas, priorizando a preservação do órgão sempre que possível. A classificação da American Association for the Surgery of Trauma (AAST) é fundamental para estratificar a gravidade da lesão, variando de Grau I (lesões menores) a Grau V (lesões graves com fragmentação ou desvascularização). Pacientes com lesões de alto grau (IV e V) têm maior risco de falha do manejo não operatório. A fisiopatologia da lesão esplênica envolve o impacto direto ou indireto que causa lacerações, hematomas ou avulsões vasculares no baço. A decisão de manejo depende criticamente da estabilidade hemodinâmica do paciente, da presença de peritonite e dos achados da tomografia computadorizada. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, o manejo não operatório é a primeira escolha, mesmo para lesões de alto grau. Para lesões esplênicas Grau IV ou V em pacientes estáveis, a arteriografia com angioembolização profilática da artéria esplênica distal ou proximal tem demonstrado aumentar significativamente as taxas de sucesso do manejo não operatório e reduzir a necessidade de esplenectomia. Essa conduta visa ocluir vasos sangrantes ou reduzir o fluxo sanguíneo para o baço, diminuindo o risco de sangramento tardio e preservando a função imunológica do órgão. A observação clínica em UTI é essencial após a embolização, com monitoramento rigoroso.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para o manejo não operatório de lesões esplênicas traumáticas?

Os critérios incluem estabilidade hemodinâmica persistente, ausência de sinais de peritonite, ausência de outras lesões abdominais que exijam cirurgia e, idealmente, lesões esplênicas de graus mais baixos. Para lesões de alto grau, a angioembolização pode ser um adjuvante para permitir o manejo não operatório.

Quando a angioembolização esplênica é indicada em traumas?

A angioembolização é indicada em pacientes hemodinamicamente estáveis com lesões esplênicas de alto grau (AAST IV-V), ou na presença de pseudoaneurismas ou extravasamento de contraste ativo na tomografia. Pode ser terapêutica (para sangramento ativo) ou profilática (para reduzir o risco de ressangramento em lesões de alto grau).

Qual a importância da classificação AAST para lesões esplênicas no trauma?

A classificação da AAST (American Association for the Surgery of Trauma) para lesões esplênicas é crucial para padronizar a avaliação e guiar a conduta. Ela categoriza as lesões de I a V com base na extensão do dano, hematoma, laceração e envolvimento vascular, correlacionando-se com o risco de falha do manejo não operatório e a necessidade de intervenção.

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