UFT - Universidade Federal do Tocantins — Prova 2021
Mulher, 52 anos, vítima de queda de altura, aproximadamente 6 metros, encontra-se estável hemodinamicamente. Ao exame físico: FC 95 bpm, abdome flácido e sem irritação peritoneal. Tomografia computadorizada de abdome revela presença de gás retroperitoneal. Diante do exposto, marque a CORRETA:
Gás retroperitoneal em trauma abdominal fechado → alta suspeita de lesão de víscera retroperitoneal, como o duodeno.
A presença de gás retroperitoneal na TC após trauma abdominal fechado é um sinal crítico de lesão de víscera oca retroperitoneal. O duodeno, especialmente sua segunda porção (fixa e adjacente à cabeça do pâncreas), é particularmente vulnerável a forças de cisalhamento em traumas contusos, como quedas de altura, mesmo em pacientes hemodinamicamente estáveis inicialmente.
O trauma abdominal contuso é uma causa significativa de morbimortalidade, e a identificação de lesões ocultas é um desafio. A queda de altura é um mecanismo de trauma de alta energia que pode resultar em lesões complexas, mesmo na ausência de sinais externos óbvios. A estabilidade hemodinâmica inicial não exclui a presença de lesões graves, especialmente em órgãos retroperitoneais. A presença de gás retroperitoneal na tomografia computadorizada é um achado crucial que indica perfuração de uma víscera oca localizada no retroperitônio. Dentre as opções, a lesão da 2ª porção duodenal é a mais provável, pois o duodeno é uma estrutura retroperitoneal fixa e vulnerável a forças de cisalhamento e compressão contra a coluna vertebral em traumas de alta energia. O extravasamento de ar e conteúdo intestinal para o espaço retroperitoneal é um sinal patognomônico de perfuração. O diagnóstico precoce da lesão duodenal é vital, pois o atraso pode levar a complicações graves como peritonite, sepse e formação de fístulas. Embora o paciente esteja hemodinamicamente estável e sem irritação peritoneal, a presença de gás retroperitoneal exige exploração cirúrgica imediata para confirmar e reparar a lesão. A TC é a modalidade de imagem de escolha para avaliar o trauma abdominal contuso, fornecendo informações detalhadas sobre as lesões viscerais e a presença de gás ou líquido em espaços incomuns.
As vísceras retroperitoneais mais suscetíveis incluem o duodeno (especialmente suas porções fixas), pâncreas, rins, ureteres, grandes vasos (aorta e veia cava) e cólon ascendente/descendente. A fixação dessas estruturas as torna vulneráveis a forças de desaceleração e compressão.
A lesão duodenal pode ser de difícil diagnóstico precoce porque o conteúdo extravasado (bile, suco pancreático, ar) pode ficar contido no retroperitônio por um tempo, mascarando sinais de irritação peritoneal. Além disso, os sintomas podem ser inespecíficos e a estabilidade hemodinâmica inicial pode levar a uma falsa sensação de segurança.
Os achados na TC incluem gás retroperitoneal (pneumoperitônio retroperitoneal), líquido periduodenal, espessamento da parede duodenal, hematoma retroperitoneal adjacente ao duodeno, e extravasamento de contraste oral ou intravenoso. A presença de gás é um sinal altamente sugestivo.
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