UFPI/HU-UFPI - Hospital Universitário do Piauí - Teresina (PI) — Prova 2015
Paciente vítima de trauma abdominal fechado foi submetido à laparotomia exploradora no Hospital de Urgência de Teresina. No inventário da cavidade, foi evidenciada perfuração de 2,0 em flexura duodeno jejunal, com grande quantidade de secreção entérica em cavidade. A conduta do cirurgião para o caso deve ser:
Perfuração duodeno jejunal traumática + contaminação → Rafia + exclusão pilórica para proteção da sutura.
Lesões duodenais traumáticas são raras, mas graves, devido à localização retroperitoneal e à contaminação. A rafia simples pode ser insuficiente, e a exclusão pilórica desvia o fluxo gástrico, protegendo a sutura e reduzindo o risco de fístula duodenal.
O trauma abdominal fechado pode resultar em lesões de órgãos sólidos e ocos. As lesões duodenais são relativamente raras, mas representam um desafio cirúrgico significativo devido à sua localização retroperitoneal, à dificuldade de diagnóstico precoce e ao alto risco de complicações, como fístulas e sepse. A presença de grande quantidade de secreção entérica na cavidade indica contaminação e aumenta a complexidade do manejo. No caso de uma perfuração duodeno jejunal, a rafia primária da lesão é o primeiro passo. No entanto, em situações de trauma, com contaminação significativa e risco de isquemia ou edema da parede duodenal, a simples rafia pode não ser suficiente para garantir a cicatrização. A exclusão pilórica, que envolve a sutura do piloro e a realização de uma gastrojejunostomia, é uma técnica utilizada para desviar o fluxo gástrico e biliar do duodeno, protegendo a linha de sutura e reduzindo a pressão intraluminal. Essa estratégia de "desvio" ou "exclusão" é crucial para diminuir o risco de fístula duodenal, uma complicação temida com alta morbimortalidade. A escolha da técnica cirúrgica deve considerar a extensão da lesão, o grau de contaminação e a estabilidade hemodinâmica do paciente, visando sempre a máxima proteção da sutura e a minimização de complicações pós-operatórias.
A exclusão pilórica desvia o fluxo de conteúdo gástrico e biliar do duodeno, reduzindo a pressão intraluminal e protegendo a linha de sutura da rafia, minimizando o risco de deiscência e formação de fístula duodenal.
As fístulas duodenais são complicações graves, associadas a alta morbidade e mortalidade, devido à perda de fluidos e eletrólitos, sepse, desnutrição e erosão de vasos sanguíneos adjacentes.
A rafia exclusiva pode ser considerada em lesões duodenais pequenas, limpas e sem grande contaminação, onde a integridade da sutura é menos comprometida e o risco de fístula é baixo.
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