Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2025
Paciente masculino, 6 anos de idade, com história de colisão bicicleta x árvore, dá entrada no pronto socorro queixando-se de dor abdominal. Ao exame físico, está estável hemodinamicamente, vias aéreas pérvias, exame físico cardiopulmonar sem alterações, apresentando hematoma em mesogástrio, doloroso à palpação. Foram solicitadas tomografias computadorizadas de abdome superior e pelve com contraste. Assinale, dentre as opções abaixo, o órgão mais provável de apresentar lesão nesse caso:
Trauma abdominal fechado em criança com hematoma em mesogástrio → suspeitar lesão duodenal.
Em traumas abdominais fechados pediátricos, especialmente por compressão contra a coluna (ex: guidão de bicicleta), o duodeno é um órgão frequentemente lesado devido à sua posição retroperitoneal e fixação. A presença de hematoma em mesogástrio reforça essa suspeita, mesmo em paciente hemodinamicamente estável.
O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade em crianças, sendo as lesões duodenais, embora menos comuns que as de órgãos sólidos, particularmente desafiadoras devido à sua apresentação insidiosa. A alta suspeição é fundamental, especialmente em mecanismos de trauma por compressão (ex: guidão de bicicleta, cinto de segurança) que podem 'esmagar' o duodeno contra a coluna vertebral. A incidência é maior em crianças devido à menor proteção da parede abdominal e à maior flexibilidade da caixa torácica, que transmite mais energia ao abdome. A fisiopatologia da lesão duodenal envolve a compressão direta ou o cisalhamento, resultando em hematoma intramural, perfuração ou avulsão. O diagnóstico pode ser difícil, pois os sintomas iniciais (dor abdominal, vômitos) são inespecíficos e a estabilidade hemodinâmica pode mascarar a gravidade. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para o diagnóstico, buscando sinais como espessamento da parede duodenal, ar retroperitoneal ou extravasamento de contraste. A elevação de amilase ou lipase sérica pode ser um indicativo, mas não é específica. O tratamento varia desde o manejo conservador para hematomas intramurais pequenos e não obstrutivos até a intervenção cirúrgica para perfurações ou obstruções significativas. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da extensão da lesão. Residentes devem estar atentos à história do trauma, ao exame físico detalhado e à interpretação dos exames de imagem para evitar atrasos no diagnóstico e complicações graves como peritonite, sepse e fístulas.
Os sinais podem ser inespecíficos inicialmente, incluindo dor abdominal, vômitos, distensão e, como no caso, hematoma em mesogástrio. A instabilidade hemodinâmica é rara no início, mas pode evoluir com peritonite ou sepse.
O duodeno é vulnerável devido à sua posição fixa retroperitoneal, sendo comprimido contra a coluna vertebral em traumas diretos ou por desaceleração. Em crianças, a parede abdominal mais fina e a menor proteção muscular aumentam o risco.
A TC com contraste é essencial para avaliar lesões de vísceras ocas e retroperitoneais. Pode revelar espessamento da parede duodenal, hematoma intramural, extravasamento de contraste ou ar retroperitoneal, indicando perfuração.
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