Lesão Duodenal em Trauma Abdominal Pediátrico: Diagnóstico

Santa Casa de São Carlos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, 6 anos de idade, com história de colisão bicicleta x árvore, dá entrada no pronto socorro queixando-se de dor abdominal. Ao exame físico, está estável hemodinamicamente, vias aéreas pérvias, exame físico cardiopulmonar sem alterações, apresentando hematoma em mesogástrio, doloroso à palpação. Foram solicitadas tomografias computadorizadas de abdome superior e pelve com contraste. Assinale, dentre as opções abaixo, o órgão mais provável de apresentar lesão nesse caso:

Alternativas

  1. A) Estômago
  2. B) Duodeno
  3. C) Diafragma
  4. D) Fígado

Pérola Clínica

Trauma abdominal fechado em criança com hematoma em mesogástrio → suspeitar lesão duodenal.

Resumo-Chave

Em traumas abdominais fechados pediátricos, especialmente por compressão contra a coluna (ex: guidão de bicicleta), o duodeno é um órgão frequentemente lesado devido à sua posição retroperitoneal e fixação. A presença de hematoma em mesogástrio reforça essa suspeita, mesmo em paciente hemodinamicamente estável.

Contexto Educacional

O trauma abdominal fechado é uma causa significativa de morbimortalidade em crianças, sendo as lesões duodenais, embora menos comuns que as de órgãos sólidos, particularmente desafiadoras devido à sua apresentação insidiosa. A alta suspeição é fundamental, especialmente em mecanismos de trauma por compressão (ex: guidão de bicicleta, cinto de segurança) que podem 'esmagar' o duodeno contra a coluna vertebral. A incidência é maior em crianças devido à menor proteção da parede abdominal e à maior flexibilidade da caixa torácica, que transmite mais energia ao abdome. A fisiopatologia da lesão duodenal envolve a compressão direta ou o cisalhamento, resultando em hematoma intramural, perfuração ou avulsão. O diagnóstico pode ser difícil, pois os sintomas iniciais (dor abdominal, vômitos) são inespecíficos e a estabilidade hemodinâmica pode mascarar a gravidade. A tomografia computadorizada com contraste é o exame de escolha para o diagnóstico, buscando sinais como espessamento da parede duodenal, ar retroperitoneal ou extravasamento de contraste. A elevação de amilase ou lipase sérica pode ser um indicativo, mas não é específica. O tratamento varia desde o manejo conservador para hematomas intramurais pequenos e não obstrutivos até a intervenção cirúrgica para perfurações ou obstruções significativas. O prognóstico depende da rapidez do diagnóstico e da extensão da lesão. Residentes devem estar atentos à história do trauma, ao exame físico detalhado e à interpretação dos exames de imagem para evitar atrasos no diagnóstico e complicações graves como peritonite, sepse e fístulas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de lesão duodenal em crianças após trauma abdominal?

Os sinais podem ser inespecíficos inicialmente, incluindo dor abdominal, vômitos, distensão e, como no caso, hematoma em mesogástrio. A instabilidade hemodinâmica é rara no início, mas pode evoluir com peritonite ou sepse.

Por que o duodeno é particularmente vulnerável em traumas abdominais fechados pediátricos?

O duodeno é vulnerável devido à sua posição fixa retroperitoneal, sendo comprimido contra a coluna vertebral em traumas diretos ou por desaceleração. Em crianças, a parede abdominal mais fina e a menor proteção muscular aumentam o risco.

Qual a importância da tomografia computadorizada no diagnóstico de lesão duodenal em trauma pediátrico?

A TC com contraste é essencial para avaliar lesões de vísceras ocas e retroperitoneais. Pode revelar espessamento da parede duodenal, hematoma intramural, extravasamento de contraste ou ar retroperitoneal, indicando perfuração.

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