UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2025
Homem, 40 anos, vítima de traumatismo fechado em abdome, encontra-se hemodinamicamente estável e sem sinais de irritação peritonial. Tomografia computadorizada revela presença de gás em retroperitônio. O diagnóstico é:
Gás retroperitoneal em trauma abdominal fechado sem peritonite → suspeitar lesão de órgão retroperitoneal (ex: duodeno).
A presença de gás no retroperitônio após trauma abdominal fechado, especialmente na ausência de sinais de irritação peritoneal e com estabilidade hemodinâmica, é altamente sugestiva de lesão de uma víscera retroperitoneal que contenha gás, como o duodeno (principalmente suas porções 2, 3 e 4), pâncreas ou cólon ascendente/descendente. A tomografia computadorizada é essencial para o diagnóstico.
O trauma abdominal fechado é uma causa comum de morbimortalidade, e o diagnóstico precoce de lesões é fundamental. A presença de gás no retroperitônio é um sinal radiológico importante que indica a perfuração de uma víscera oca retroperitoneal. Diferentemente do gás intraperitoneal, que geralmente aponta para lesões de órgãos como estômago ou intestino delgado intraperitoneal, o gás retroperitoneal direciona a investigação para estruturas como o duodeno, pâncreas ou cólon retroperitoneal. A lesão da segunda porção do duodeno é particularmente relevante, pois esta porção é fixada e retroperitoneal, tornando-a vulnerável a forças de cisalhamento em traumas de desaceleração. A fisiopatologia envolve a ruptura da parede duodenal, permitindo o extravasamento de ar e conteúdo gastrointestinal para o espaço retroperitoneal. O diagnóstico é frequentemente desafiador devido à apresentação insidiosa, com pacientes podendo estar hemodinamicamente estáveis e sem sinais clássicos de peritonite inicialmente. A tomografia computadorizada com contraste oral e/ou intravenoso é a ferramenta diagnóstica mais sensível para identificar o gás retroperitoneal, espessamento da parede duodenal, hematomas periduodenais e extravasamento de contraste. O tratamento de lesões duodenais varia de conservador (para lesões menores e sem extravasamento) a cirúrgico (para perfurações completas ou lesões complexas). O atraso no diagnóstico e tratamento pode levar a complicações graves como fístulas, abscessos e sepse. Portanto, a alta suspeição clínica em pacientes com trauma abdominal e a interpretação cuidadosa dos exames de imagem são cruciais para um desfecho favorável, especialmente em um contexto de residência médica onde a agilidade e precisão diagnóstica são valorizadas.
Os órgãos retroperitoneais que podem causar gás retroperitoneal após um trauma incluem o duodeno (especialmente suas porções 2, 3 e 4), o pâncreas e as porções ascendente e descendente do cólon. A lesão de qualquer um desses órgãos pode liberar gás para o espaço retroperitoneal.
A estabilidade hemodinâmica e a ausência de peritonite podem mascarar a gravidade de uma lesão duodenal, pois o conteúdo extravasado inicialmente fica contido no retroperitônio. Isso pode atrasar o diagnóstico, tornando a tomografia computadorizada um exame crucial para detectar o gás retroperitoneal e outras lesões.
A tomografia computadorizada é a modalidade de imagem de escolha para avaliar lesões retroperitoneais em pacientes estáveis após trauma abdominal. Ela pode identificar diretamente o gás retroperitoneal, coleções líquidas, hematomas e o local exato da lesão, orientando a conduta cirúrgica ou conservadora.
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