UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022
Paciente de 27 anos, vítima de ferimento por arma branca em parede lateral do hemitórax esquerdo, próximo ao décimo espaço intercostal, deu entrada no pronto atendimento de um hospital de trauma trazido pelo bombeiro, apresentava PA= 110x 60 mmhg, FC= 98 bpm, FR= 23 rpm. Em relação à lesão do diafragma, o melhor exame para confirmação diagnóstica é
Suspeita de lesão diafragmática por trauma penetrante → laparoscopia/toracoscopia é o padrão ouro diagnóstico.
Lesões diafragmáticas por trauma penetrante são difíceis de diagnosticar por exames de imagem devido à sua natureza linear e à mobilidade do diafragma. A laparoscopia ou toracoscopia diagnóstica oferece a melhor acurácia para confirmar ou excluir a lesão, permitindo também o reparo imediato.
A lesão diafragmática traumática é uma condição grave que pode ocorrer tanto em traumas contusos de alta energia quanto em traumas penetrantes, como ferimentos por arma branca ou projétil de arma de fogo. É particularmente desafiadora de diagnosticar devido à sua apresentação clínica variável e à dificuldade de visualização em exames de imagem convencionais. A importância clínica reside no risco de hérnia de vísceras abdominais para o tórax, levando a comprometimento respiratório e estrangulamento visceral, com alta morbimortalidade se não tratada precocemente. Em casos de trauma penetrante toracoabdominal, como o descrito na questão, a suspeita de lesão diafragmática deve ser alta, especialmente se o ferimento estiver abaixo da linha dos mamilos (quarto espaço intercostal anteriormente, oitavo lateralmente e décimo posteriormente). Exames como radiografia de tórax e tomografia computadorizada (TC) de tórax e abdome com contraste podem sugerir a lesão (elevação do hemidiafragma, presença de vísceras abdominais no tórax), mas sua sensibilidade para lesões pequenas e lineares é baixa. O padrão ouro para a confirmação diagnóstica de lesões diafragmáticas em traumas penetrantes é a exploração cirúrgica direta, seja por laparoscopia ou toracoscopia. Esses procedimentos minimamente invasivos permitem a inspeção completa do diafragma, identificação da lesão e seu reparo imediato, prevenindo complicações tardias. A escolha entre laparoscopia ou toracoscopia depende da localização do ferimento e da experiência do cirurgião.
Lesões diafragmáticas, especialmente as pequenas e lineares causadas por trauma penetrante, são difíceis de visualizar em radiografias e tomografias devido à sua localização, movimento e artefatos.
Deve-se suspeitar em qualquer trauma penetrante torácico abaixo da linha dos mamilos ou abdominal superior, ou em trauma contuso de alta energia, especialmente se houver sinais de hérnia visceral ou desconforto respiratório.
A laparoscopia permite a visualização direta de toda a superfície diafragmática, identificando lesões que seriam perdidas em exames de imagem, além de possibilitar o reparo imediato da lesão.
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