Trauma Toracoabdominal: Manejo da Lesão Diafragmática

HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem, 25 anos de idade, vítima de ferimento por arma branca em hemitórax esquerdo, é trazido pelo SAMU para a emergência. Apresenta vias aéreas pérvias com colar cervical, saturação de oxigênio 93% em ar ambiente e 96% com máscara de oxigênio 12 Litros/minuto. Expansibilidade torácica diminuída à esquerda, com murmúrios vesiculares diminuídos à esquerda. Pressão arterial 130x70mmHg e frequência cardíaca 84bpm. Abdome flácido, doloroso à palpação profundamente em flanco esquerdo e hipocôndrio esquerdo, sem sinais de irritação peritoneal. Pelve estável. Toque retal sem alterações. Escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Presença de ferimento penetrante em oitavo espaço intercostal esquerdo, próximo à linha axilar anterior, sem sinais de sangramento ativo. Realizou radiografia convencional de tórax e tomografia computadorizada de abdome total (as imagens estão disponíveis a seguir): O laudo tomográfico evidencia lesão esplênica grau III, sem sinais de sangramento ativo. Após drenagem de hemitórax esquerdo, o tratamento indicado é:

Alternativas

  1. A) Videolaparoscopia para tratamento de lesão diafragmática.
  2. B) Vacinação contra bactérias encapsuladas e laparotomia para realização de esplenectomia.
  3. C) Administração de ácido tranexâmico e realização de arteriografia com embolização esplênica.
  4. D) Laparotomia exploradora para tamponamento intraperitoneal com compressas e peritoniostomia.

Pérola Clínica

Ferimento penetrante em hemitórax esquerdo com lesão esplênica → alta suspeita de lesão diafragmática, investigar e tratar cirurgicamente.

Resumo-Chave

Ferimentos penetrantes no hemitórax esquerdo, especialmente abaixo do 4º espaço intercostal, têm alto risco de lesão diafragmática, que pode ser assintomática inicialmente mas levar a hérnia de vísceras abdominais. Mesmo com lesão esplênica sem sangramento ativo, a lesão diafragmática exige exploração cirúrgica, preferencialmente por videolaparoscopia.

Contexto Educacional

O trauma toracoabdominal é uma lesão complexa que envolve tanto o tórax quanto o abdome, frequentemente resultante de ferimentos penetrantes. A região toracoabdominal é definida pela área entre o 4º espaço intercostal (nível dos mamilos) e o rebordo costal inferior. Ferimentos penetrantes nesta área, especialmente no hemitórax esquerdo, têm alta probabilidade de causar lesões diafragmáticas e de órgãos abdominais superiores como o baço, estômago e cólon. A fisiopatologia da lesão diafragmática traumática envolve a ruptura do diafragma, que pode ser pequena e assintomática inicialmente, mas com o tempo pode permitir a herniação de vísceras abdominais para o tórax, levando a complicações respiratórias e gastrointestinais. O diagnóstico pode ser desafiador, com radiografias de tórax sendo frequentemente normais ou mostrando achados sutis. A tomografia computadorizada pode auxiliar, mas a exploração cirúrgica é muitas vezes necessária para confirmação. O tratamento da lesão diafragmática é cirúrgico, com reparo primário da lesão. Em pacientes hemodinamicamente estáveis, a videolaparoscopia é a abordagem preferencial, pois permite uma avaliação completa do diafragma e da cavidade abdominal, além do reparo da lesão, com menor morbidade em comparação à laparotomia exploradora. A identificação e o reparo precoces são cruciais para prevenir complicações tardias.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão diafragmática em trauma?

Sinais incluem ferimentos penetrantes na zona toracoabdominal (entre 4º espaço intercostal e rebordo costal), desconforto respiratório, murmúrios vesiculares diminuídos, dor abdominal e, em casos crônicos, sintomas de obstrução intestinal.

Por que a videolaparoscopia é indicada para lesão diafragmática traumática?

A videolaparoscopia permite a inspeção direta do diafragma, identificando lesões que podem ser suturadas. É menos invasiva que a laparotomia e eficaz para diagnosticar e tratar lesões diafragmáticas, especialmente em casos estáveis.

Qual a relação entre lesão esplênica e lesão diafragmática em trauma torácico esquerdo?

Ferimentos penetrantes no hemitórax esquerdo podem atingir simultaneamente o diafragma e o baço, devido à proximidade anatômica. A presença de uma lesão esplênica deve aumentar a suspeita de lesão diafragmática associada.

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