Lesão Cutânea na Face: Conduta Diagnóstica e Excisão

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 50 anos procura cirurgião plástico preocupada com lesão papular hipercrômica na face, com cerca de 2 mm de espessura, simétrica, bordos regulares, coloração homogênea, diâmetro de 5 mm e crescimento lento. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Exérese com margem de 5 mm e pesquisa do linfonodo sentinela cervical.
  2. B) Eletrocauterização.
  3. C) Crioterapia.
  4. D) Exérese com margem de 2 mm e exame anatomopatológico.

Pérola Clínica

Lesão cutânea suspeita na face → Exérese com margem de segurança e anatomopatológico para diagnóstico definitivo.

Resumo-Chave

Diante de uma lesão cutânea com características atípicas ou que cause preocupação ao paciente, mesmo que clinicamente benigna (simétrica, bordos regulares, coloração homogênea), a conduta padrão é a biópsia excisional com margens adequadas, seguida de exame anatomopatológico para diagnóstico definitivo e exclusão de malignidade.

Contexto Educacional

A avaliação de lesões cutâneas é uma parte fundamental da prática médica, especialmente em dermatologia e cirurgia plástica. Embora muitas lesões sejam benignas, a capacidade de identificar aquelas com potencial maligno é crucial. A regra do ABCDE (Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro > 6mm, Evolução) é uma ferramenta útil para triagem de melanomas, mas outras lesões também requerem atenção. No caso apresentado, apesar de algumas características "benignas" (simetria, bordos regulares, coloração homogênea), a preocupação da paciente e o crescimento lento de uma lesão papular hipercrômica na face justificam uma investigação mais aprofundada. A espessura de 2 mm, embora não seja um critério isolado, adiciona um elemento de atenção. A conduta mais adequada é a exérese com margem de segurança e envio para exame anatomopatológico. Isso permite um diagnóstico definitivo e a exclusão de malignidades como carcinoma basocelular, espinocelular ou até mesmo um melanoma amelanótico ou nodular. Margens de 2 mm são geralmente suficientes para uma biópsia excisional diagnóstica em lesões faciais, minimizando o defeito estético, enquanto margens maiores (como 5 mm) e pesquisa de linfonodo sentinela são reservadas para melanomas confirmados com Breslow > 0,8-1 mm. Métodos destrutivos sem biópsia são contraindicados para lesões suspeitas.

Perguntas Frequentes

Quando uma lesão cutânea na face deve ser considerada suspeita?

Uma lesão cutânea deve ser considerada suspeita se apresentar características atípicas como assimetria, bordas irregulares, múltiplas cores, diâmetro maior que 6 mm (regra ABCDE), ou se houver histórico de crescimento, sangramento ou mudança de aspecto.

Qual a importância do exame anatomopatológico em lesões cutâneas?

O exame anatomopatológico é crucial para confirmar o diagnóstico, determinar a natureza benigna ou maligna da lesão, identificar o tipo histológico do tumor (se maligno) e avaliar a presença de margens cirúrgicas livres, orientando o tratamento subsequente.

Qual a margem de segurança recomendada para excisão de lesões cutâneas na face?

A margem de segurança para excisão de lesões cutâneas benignas ou suspeitas na face geralmente é menor do que em outras áreas devido à importância estética e funcional. Para lesões suspeitas, uma margem de 1-2 mm é frequentemente utilizada para biópsia excisional, permitindo um diagnóstico preciso sem grande deformidade.

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