IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 35 anos de idade, vítima de acidente de moto contra anteparo fixo, é levado pelo resgate para hospital terciário (centro referenciado de trauma) sob intubação orotraqueal, com colar cervical e prancha rígida. Em avaliação inicial, o tubo orotraqueal está bem locado, com colar cervical e saturação periférica de oxigênio de 91% em ar ambiente. A expansibilidade torácica está diminuída à direita, com diminuição da ausculta nesta região. A ausculta cardíaca está normal, com frequência cardíaca de 110 bpm, pressão arterial de 120x70 mmHg. O abdome está flácido, com pelve estável e toque retal sem alterações. Escala de coma de Glasgow 3, pupilas isocóricas e fotorreagentes. Quais medidas iniciais devem ser realizadas para diminuir o risco de lesão cerebral secundária neste paciente?
Prevenção lesão secundária TCE → PAS > 110 mmHg + SatO2 > 94% + Normocapnia (pCO2 35-45).
A hipotensão e a hipóxia são os principais agressores secundários no TCE; manter a PAS > 110 mmHg é crucial para garantir a perfusão cerebral em áreas de penumbra.
O manejo do TCE grave foca em evitar a 'segunda lesão'. Enquanto a lesão primária ocorre no momento do impacto, a secundária desenvolve-se nas horas seguintes devido a insultos sistêmicos. A tríade de ouro na neuroproteção de emergência é: evitar a hipotensão, evitar a hipóxia e manter a normocapnia. O uso de soluções isotônicas para ressuscitação volêmica é preferível para evitar o agravamento do edema cerebral por hipotonicidade.
No cérebro traumatizado, os mecanismos de autorregulação do fluxo sanguíneo cerebral estão frequentemente comprometidos. Isso torna a perfusão cerebral dependente diretamente da Pressão Arterial Média (PAM). Para manter uma Pressão de Perfusão Cerebral (PPC) adequada e evitar isquemia em áreas já vulneráveis, as diretrizes atuais (Brain Trauma Foundation e ATLS) recomendam manter a PAS ≥ 100 mmHg para pacientes de 50-69 anos e ≥ 110 mmHg para pacientes de 15-49 ou > 70 anos.
A hiperventilação reduz a pCO2, o que causa vasoconstrição cerebral. Embora isso possa reduzir a pressão intracraniana (PIC) temporariamente, a vasoconstrição excessiva (pCO2 < 25-30 mmHg) pode levar à isquemia cerebral iatrogênica. Portanto, a hiperventilação só deve ser usada como medida de resgate temporária em sinais de herniação iminente, e nunca de forma constante ou profilática.
A hipóxia (SatO2 < 90% ou PaO2 < 60 mmHg) agrava o edema cerebral citotóxico e a falência energética neuronal iniciada pelo trauma primário. No TCE grave, o tecido cerebral tem uma reserva de oxigênio mínima, e qualquer queda na oferta de O2 resulta em morte celular adicional e piora do prognóstico neurológico a longo prazo.
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