UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Paciente de 20 anos de idade, do sexo feminino, foi atendida no serviço de emergência após tentativa de suicídio com ingestão de soda cáustica. Foi realizada endoscopia digestiva a alta que classificou a lesão cáustica como 2B. Qual é a melhor conduta?
Lesão cáustica 2B → Internação UTI, IBP, SNG (alimentação/patência), prevenção distensão gástrica.
Lesões cáusticas grau 2B indicam dano transmural com risco de perfuração e estenose. A conduta deve ser agressiva, com internação em UTI, suporte nutricional precoce e medidas para prevenir complicações como estenose e distensão gástrica.
A ingestão de substâncias cáusticas é uma emergência médica grave, frequentemente associada a tentativas de suicídio, que pode causar lesões significativas no trato gastrointestinal superior. A soda cáustica (hidróxido de sódio) é um álcali forte que provoca necrose de liquefação, com penetração profunda e progressiva nos tecidos, resultando em danos extensos ao esôfago e estômago. A endoscopia digestiva alta precoce é fundamental para classificar a extensão da lesão, o que direciona a conduta. Lesões grau 2B são caracterizadas por úlceras profundas, circunferencialidade e necrose focal, indicando um alto risco de perfuração aguda e, a longo prazo, de estenose esofágica. A avaliação da via aérea também é crucial devido ao risco de edema de glote. O manejo de lesões 2B é intensivo e inclui internação em unidade de terapia intensiva, suspensão da dieta oral, uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) para reduzir a acidez gástrica, e instalação de sonda nasogástrica para alimentação enteral e, em alguns casos, para servir como molde e prevenir a estenose. O uso de corticoides é controverso e não rotineiramente recomendado. A vigilância para sinais de perfuração e o manejo das estenoses são aspectos críticos do tratamento.
As lesões cáusticas são classificadas endoscopicamente em graus: Grau 0 (normal), Grau 1 (edema, hiperemia), Grau 2A (úlceras superficiais, exsudato), Grau 2B (úlceras profundas, circunferencial, necrose focal), Grau 3A (necrose transmural focal) e Grau 3B (necrose transmural extensa).
A conduta para lesão 2B inclui internação em UTI, suspensão da dieta oral, uso de inibidores da bomba de prótons (IBP), instalação de sonda nasogástrica para alimentação e manutenção da patência da luz esofágica, além de prevenção da distensão gástrica.
As principais complicações tardias são a estenose esofágica, que pode exigir dilatações endoscópicas ou cirurgia, e o aumento do risco de carcinoma espinocelular de esôfago a longo prazo.
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