Lesão Cáustica Esofágica Grau 2B: Manejo e Conduta

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 20 anos de idade, do sexo feminino, foi atendida no serviço de emergência após tentativa de suicídio com ingestão de soda cáustica. Foi realizada endoscopia digestiva a alta que classificou a lesão cáustica como 2B. Qual é a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Internação, dieta oral líquida ou pastosa e inibidores da bomba de prótons.
  2. B) Internação em unidade de terapia intensiva, uso de inibidores da bomba de prótons, instalação de sonda nasogástrica para alimentação, manutenção da patência da luz esofágica e prevenção da distensão gástrica.
  3. C) Observação por 12 horas em ambiente hospitalar, dieta líquida e uso de inibidores da bomba de próton (IBP).
  4. D) Internação em unidade de terapia intensiva e colocação de stent por via endoscópica na área lesionada.
  5. E) Liberação após a endoscopia digestiva com programação de revisão da mesma após uma semana.

Pérola Clínica

Lesão cáustica 2B → Internação UTI, IBP, SNG (alimentação/patência), prevenção distensão gástrica.

Resumo-Chave

Lesões cáusticas grau 2B indicam dano transmural com risco de perfuração e estenose. A conduta deve ser agressiva, com internação em UTI, suporte nutricional precoce e medidas para prevenir complicações como estenose e distensão gástrica.

Contexto Educacional

A ingestão de substâncias cáusticas é uma emergência médica grave, frequentemente associada a tentativas de suicídio, que pode causar lesões significativas no trato gastrointestinal superior. A soda cáustica (hidróxido de sódio) é um álcali forte que provoca necrose de liquefação, com penetração profunda e progressiva nos tecidos, resultando em danos extensos ao esôfago e estômago. A endoscopia digestiva alta precoce é fundamental para classificar a extensão da lesão, o que direciona a conduta. Lesões grau 2B são caracterizadas por úlceras profundas, circunferencialidade e necrose focal, indicando um alto risco de perfuração aguda e, a longo prazo, de estenose esofágica. A avaliação da via aérea também é crucial devido ao risco de edema de glote. O manejo de lesões 2B é intensivo e inclui internação em unidade de terapia intensiva, suspensão da dieta oral, uso de inibidores da bomba de prótons (IBP) para reduzir a acidez gástrica, e instalação de sonda nasogástrica para alimentação enteral e, em alguns casos, para servir como molde e prevenir a estenose. O uso de corticoides é controverso e não rotineiramente recomendado. A vigilância para sinais de perfuração e o manejo das estenoses são aspectos críticos do tratamento.

Perguntas Frequentes

Como são classificadas as lesões cáusticas esofágicas?

As lesões cáusticas são classificadas endoscopicamente em graus: Grau 0 (normal), Grau 1 (edema, hiperemia), Grau 2A (úlceras superficiais, exsudato), Grau 2B (úlceras profundas, circunferencial, necrose focal), Grau 3A (necrose transmural focal) e Grau 3B (necrose transmural extensa).

Qual a conduta inicial para uma lesão cáustica esofágica grau 2B?

A conduta para lesão 2B inclui internação em UTI, suspensão da dieta oral, uso de inibidores da bomba de prótons (IBP), instalação de sonda nasogástrica para alimentação e manutenção da patência da luz esofágica, além de prevenção da distensão gástrica.

Quais são as principais complicações tardias da ingestão de cáusticos?

As principais complicações tardias são a estenose esofágica, que pode exigir dilatações endoscópicas ou cirurgia, e o aumento do risco de carcinoma espinocelular de esôfago a longo prazo.

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