UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Homem, 35 anos procura Unidade Básica de Saúde com febre de 39°C, mialgia, cefaleia holocraniana, tosse e icterícia há dois dias, sendo liberado com sintomáticos. Retorna após dois dias com dispneia, piora da icterícia e diminuição do volume urinário. Após avaliação médica é encaminhado ao Hospital de referência. Exames de admissão: Hemograma normal; Creatinina: 10,5mg/dL, Ureia: 200mg/dL, K: 3,5mEq/L, TGO: 150UI; TGP:90UI, bilirrubina total de 15mg/dL, bilirrubina direta: 10mg/dL. Gasometria com hipoxemia importante.Qual o provável diagnóstico desse paciente?Qual seria a principal causa de óbito nesse paciente?
Febre + mialgia + icterícia + IRA + hipoxemia → Leptospirose grave (Síndrome de Weil). Causa óbito: hemorragia pulmonar.
O quadro clínico de febre, mialgia, cefaleia, icterícia progressiva, insuficiência renal aguda (IRA) e hipoxemia grave sugere fortemente Leptospirose grave, também conhecida como Síndrome de Weil. A principal causa de óbito nesses casos é a hemorragia pulmonar, seguida pela insuficiência renal e arritmias cardíacas.
A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero *Leptospira*, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, como roedores. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas ou leves até quadros graves e potencialmente fatais. A forma grave, conhecida como Síndrome de Weil, é caracterizada pela tríade clássica de icterícia, insuficiência renal aguda (IRA) e manifestações hemorrágicas. O caso clínico descrito, com febre, mialgia, cefaleia, icterícia progressiva, dispneia, diminuição do volume urinário, elevação acentuada de creatinina e ureia, e hipoxemia, é altamente sugestivo de Síndrome de Weil. A icterícia na leptospirose é tipicamente colestática, com predomínio de bilirrubina direta, e a IRA é não oligúrica em muitos casos, mas pode evoluir para oligúria e anúria. A hipoxemia e dispneia, especialmente em um paciente com leptospirose, levantam a suspeita de síndrome de hemorragia pulmonar grave (SHPG), uma das complicações mais temidas. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para reduzir a mortalidade. O tratamento consiste em antibioticoterapia (penicilina G ou ceftriaxona) e suporte intensivo das disfunções orgânicas, incluindo diálise para a IRA e ventilação mecânica para a insuficiência respiratória. A SHPG é a principal causa de óbito na leptospirose grave, exigindo reconhecimento rápido e manejo agressivo, incluindo medidas de suporte ventilatório e, por vezes, transfusões.
A Síndrome de Weil é caracterizada por febre alta, icterícia progressiva, insuficiência renal aguda, mialgia intensa e, em casos graves, manifestações pulmonares como hemorragia e dispneia, além de alterações hepáticas.
A principal causa de óbito na Leptospirose grave é a síndrome de hemorragia pulmonar grave (SHPG), que se manifesta com dispneia e hemoptise, levando rapidamente à insuficiência respiratória.
O tratamento inclui antibioticoterapia (penicilina G cristalina ou ceftriaxona), suporte intensivo para as disfunções orgânicas (diálise para IRA, ventilação mecânica para insuficiência respiratória) e manejo das complicações hemorrágicas.
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