Leptospirose Grave (Síndrome de Weil): Diagnóstico e Diferenciais

IOVALE - Instituto de Olhos do Vale (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 35 anos, pedreiro, dá entrada no pronto-socorro com quadro de início há 36 horas antes da consulta com cefaléia e mialgias intensas, além de alterações do nível de consciência. Ao exame, apresenta-se torporoso, sem sinais de localização neurológica,  rigidez de nuca +/4+, icterícia +++/4+, púrpura e petéquias subconjuntivais; líquor claro com 98 leucócitos, sendo 80% neutrófilos; leucograma com 14.500 leucócitos, 20% bastões; 70 segmentados e 0 (zero) eosinófilo; Na+ = 135 mEq/l; K+ = 2,0 mEq/l; creatinina = 5,2mg/dl; bilirrubina total de 12 mg/dl com 9,0 de direta; TGO e TGP de 100 Ul. O diagnóstico provável e seu diagnóstico diferencial mais importante seriam, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Leptospirose/colangite ascendente.
  2. B) Meningite meningocócica/ abscesso perinefrético.
  3. C) Abscesso hepático originando sépsis / hepatite a vírus.
  4. D) SIDA com infecção por citomegalovírus/ meningococcemia.

Pérola Clínica

Pedreiro + cefaleia/mialgia + icterícia/IRA/hipocalemia/hemorragia + meningismo + eosinopenia → Leptospirose grave (Síndrome de Weil).

Resumo-Chave

A leptospirose grave (Síndrome de Weil) é uma doença multissistêmica que se manifesta com icterícia, insuficiência renal aguda, manifestações hemorrágicas (púrpura, petéquias subconjuntivais) e pode cursar com meningismo e hipocalemia. A eosinopenia é um achado laboratorial sugestivo. A ocupação (pedreiro) e o contato com água/solo contaminado são fatores de risco.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, como roedores. É uma doença de grande importância em saúde pública, especialmente em áreas com saneamento básico deficiente e após enchentes. A apresentação clínica varia desde formas anictéricas leves até a forma grave, conhecida como Síndrome de Weil, que pode ser fatal. A fisiopatologia envolve a disseminação hematogênica das leptospiras, que afetam múltiplos órgãos, incluindo rins, fígado, pulmões e sistema nervoso central. A Síndrome de Weil é caracterizada por icterícia intensa, insuficiência renal aguda (com hipocalemia paradoxal em alguns casos), manifestações hemorrágicas (púrpura, petéquias, hemorragia pulmonar) e miocardite. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial (sorologia, PCR, cultura) e achados como leucocitose com desvio à esquerda, eosinopenia, elevação de bilirrubinas (predomínio direta), creatinina e transaminases. O líquor pode mostrar pleocitose linfocitária ou neutrofílica. O tratamento é baseado em antibioticoterapia (penicilina G ou ceftriaxona para casos graves) e suporte intensivo. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para reduzir a mortalidade. Para residentes, é fundamental estar atento à história ocupacional e epidemiológica, bem como aos achados clínicos e laboratoriais característicos para diferenciar a leptospirose de outras condições febris e ictero-hemorrágicas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da leptospirose grave (Síndrome de Weil)?

A Síndrome de Weil é caracterizada pela tríade de icterícia, insuficiência renal aguda e manifestações hemorrágicas, além de febre, mialgia intensa e cefaleia.

Por que a eosinopenia é um achado laboratorial relevante na leptospirose?

A eosinopenia é um achado comum na fase aguda da leptospirose e pode ser um marcador útil para a suspeita diagnóstica, embora não seja patognomônica.

Qual o diagnóstico diferencial mais importante da leptospirose grave?

O diagnóstico diferencial inclui outras causas de icterícia e insuficiência renal, como hepatites virais fulminantes, sepse de outras etiologias, febre amarela, malária grave e outras doenças hemorrágicas.

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