Leptospirose Grave: Diagnóstico e Manejo da Síndrome de Weil

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 44 anos dá entrada na Sala Vermelha de uma Unidade de Pronto Atendimento, com quadro de febre alta e icterícia há uma semana, associadas à mialgia e cefaleia intensas. Nas últimas 24 horas, está anúrico. Nega viagens recentes. É morador de áreas livres. O paciente realizou radiografia de tórax e exames laboratoriais apresentados, cujos resultados estão explicitados a seguir:Exames de laboratório: Hb 8.2 g/dL; Leucograma 16.900/mm³; ureia 220 mg/dL; creatinina 7.7 mg/dL; Sódio 130 mEq/L; Potássio 3.3 mEq/L; bilirrubinas totais 12 mg/dL; PCR 252 mg/L; CPK 1.200 U/L. Radiografia de tórax:Após a realização desses exames, o paciente evoluiu rapidamente com insuficiência respiratória, sendo necessária intubação orotraqueal. Em relação ao manejo do caso em questão, a principal hipótese é

Alternativas

  1. A) hantavirose, e o tratamento deve ser iniciado com doxiciclina o quanto antes.
  2. B) febre hemorrágica da dengue, e o tratamento deve ser iniciado com reposição volêmica.
  3. C) eptospirose, e a hemodiálise deve ser indicada de forma precoce.
  4. D) malária, e o tratamento com primaquina e hidroxicloroquina deve ser mantido por 7 dias.

Pérola Clínica

Febre + icterícia + mialgia + IRA + CPK ↑ + insuficiência respiratória → Leptospirose grave (Síndrome de Weil).

Resumo-Chave

A leptospirose grave (Síndrome de Weil) é caracterizada pela tríade icterícia, disfunção renal e hemorragias, frequentemente associada a mialgia intensa e elevação da CPK. A insuficiência respiratória é uma complicação grave, e a indicação precoce de hemodiálise é vital na IRA.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero Leptospira. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas anictéricas leves até a forma grave, conhecida como Síndrome de Weil, que é potencialmente fatal. A transmissão ocorre pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. A Síndrome de Weil é caracterizada pela tríade de icterícia, disfunção renal e manifestações hemorrágicas, frequentemente acompanhada de febre alta, mialgia intensa (principalmente em panturrilhas), cefaleia e, em casos graves, insuficiência respiratória (hemorragia pulmonar) e miocardite. Laboratorialmente, observa-se anemia, leucocitose, elevação de ureia e creatinina, hiperbilirrubinemia (predominantemente direta) e elevação da CPK. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, confirmado por sorologia ou PCR. O manejo da leptospirose grave é de suporte e inclui antibioticoterapia (penicilina cristalina ou ceftriaxona) e tratamento das complicações. A insuficiência renal aguda é comum e pode exigir hemodiálise precoce, especialmente em casos de anúria ou uremia grave, para evitar complicações fatais. A alta CPK e a mialgia intensa são pistas importantes para a suspeita diagnóstica, e a rápida intervenção pode melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais achados clínicos da leptospirose grave (Síndrome de Weil)?

A Síndrome de Weil é caracterizada por icterícia, disfunção renal (com oligúria/anúria), manifestações hemorrágicas, mialgia intensa, febre e, em casos graves, insuficiência respiratória e miocardite.

Por que a CPK está elevada na leptospirose?

A elevação da CPK é comum devido à mialgia intensa e ao dano muscular direto causado pela bactéria, sendo um marcador importante para a suspeita diagnóstica.

Quando a hemodiálise é indicada na leptospirose?

A hemodiálise deve ser considerada precocemente na leptospirose com insuficiência renal aguda grave, especialmente em casos de anúria, hipercalemia refratária, acidose metabólica grave ou uremia sintomática.

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