HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2020
Homem, 37 anos de idade, previamente hígido, procura o pronto-socorro queixando-se de febre alta com calafrios, cefaleia holocraniana intensa, anorexia, náuseas, vômitos e mialgia há 5 dias, evoluindo com pele ""alaranjada"" há 3 dias de admissão. Refere que trabalha no plantio de arroz e que fez uso de analgésico no período. Nega lesões cutâneas, dor abdominal e redução do volume urinário. Ao exame clínico: REG, desidratado, ictérico (2+/4+), taquicárdico, afebril, com PA = 110 x 60 mmHg. Exame cardiopulmonar e abdominal normais. Exames laboratoriais séricos: hemoglobina 11,5; leucócitos 15.000/mm³; plaquetas 140.000/mm³; bilirrubina total 5,5 (predomínio de bilirrubina direta); creatinina 2,5 mg/dL; ureia 120 mg/dL; sódio 130 mEq/L; potássio 2,7 mEq/L; CPK 500; urina 1 (sedimento urinário) = proteína 2+. Qual é o tratamento da doença de base?
Leptospirose grave (Weil) → Icterícia + IRA + Hemorragia + Mialgia + Febre. Tratamento: Ceftriaxone/Penicilina.
O quadro clínico com icterícia, disfunção renal, plaquetopenia e mialgia em paciente com exposição ocupacional (plantio de arroz) é altamente sugestivo de leptospirose grave. O tratamento de escolha para formas graves é a antibioticoterapia parenteral com ceftriaxone ou penicilina cristalina.
A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. No Brasil, é endêmica e representa um importante problema de saúde pública, com maior incidência em períodos chuvosos e em populações com saneamento básico precário ou exposição ocupacional, como agricultores. A forma grave, conhecida como Síndrome de Weil, cursa com alta letalidade se não tratada precocemente. A fisiopatologia envolve a invasão da bactéria através de mucosas ou lesões cutâneas, disseminando-se pela corrente sanguínea e atingindo diversos órgãos. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial (sorologia ELISA IgM, PCR) e achados como icterícia, insuficiência renal aguda (IRA), plaquetopenia, leucocitose, elevação de CPK e bilirrubina direta. A suspeita deve ser alta em pacientes com febre, mialgia e cefaleia que apresentem histórico de exposição. O tratamento da leptospirose grave é baseado em antibioticoterapia parenteral. Ceftriaxone ou Penicilina Cristalina são as drogas de primeira escolha, administradas por 7 dias. Medidas de suporte, como hidratação, correção de distúrbios eletrolíticos e, se necessário, diálise para a IRA, são fundamentais. O prognóstico depende da precocidade do diagnóstico e início do tratamento, sendo a IRA e as hemorragias as principais causas de óbito.
A leptospirose grave, ou Síndrome de Weil, manifesta-se com icterícia, insuficiência renal aguda, hemorragias, mialgia intensa, febre alta e, por vezes, alterações neurológicas. A exposição a ambientes contaminados é um fator chave.
Para a leptospirose grave, o tratamento de escolha é a antibioticoterapia parenteral. Ceftriaxone (1g IV a cada 24h) ou Penicilina Cristalina (1,5 milhões UI IV a cada 6h) são as opções preferenciais, por 7 dias.
A diferenciação envolve a história epidemiológica (exposição a água ou solo contaminados, roedores), a presença de mialgia intensa, cefaleia e, laboratorialmente, a elevação de CPK e plaquetopenia, que são menos comuns em outras causas de icterícia e IRA.
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