Leptospirose Grave: Manejo e Complicações Renais

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Em junho de 2022, você está de plantão numa emergência do Recife quando chega um paciente de 22 anos com queixas de febre, cefaleia e mialgias há sete dias. Nas últimas 24 horas, começou a apresentar, também, tosse seca discreta. Ao exame físico, há sufusões conjuntivais, dor à palpação de panturrilhas e febre. O paciente está anictérico e eupneico. Exames admissionais mostram leucocitose com desvio à esquerda e plaquetopenia, CPK elevada, transaminases tocadas com bilirrubina normal, disfunção renal (creatinina 1,8 mg/dl e ureia 70 mg/dl) com hipocalemia (2,8 mEq/litro). Radiografia de tórax mostra infiltrado alveolar bilateral. Qual das condutas abaixo NÃO seria adequada para esse caso?

Alternativas

  1. A) Hidratação vigorosa – cerca de 10 ml/kg/hora de soro fisiológico
  2. B) Internamento em terapia intensiva
  3. C) Penicilina cristalina 1,5 milhão de unidades de 6/6 horas
  4. D) Gasometria arterial
  5. E) Oxigenioterapia por cateter nasal ou ventilação não invasiva

Pérola Clínica

Leptospirose grave com disfunção renal e pulmonar → hidratação cautelosa, não vigorosa.

Resumo-Chave

Em pacientes com leptospirose grave, especialmente aqueles com disfunção renal e/ou pulmonar (infiltrado alveolar), a hidratação deve ser cautelosa e guiada pela volemia, pois a hidratação vigorosa pode precipitar ou agravar o edema pulmonar.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados. A forma grave, conhecida como Síndrome de Weil, é caracterizada pela tríade de icterícia, insuficiência renal e manifestações hemorrágicas, podendo evoluir com disfunção pulmonar grave. A fisiopatologia envolve a disseminação da bactéria pela corrente sanguínea, causando vasculite e dano endotelial em múltiplos órgãos. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, com suporte laboratorial (sorologia, PCR). A suspeita deve ser alta em pacientes com febre, mialgia, cefaleia, sufusões conjuntivais e histórico de exposição, especialmente em áreas endêmicas. O tratamento da leptospirose grave inclui antibioticoterapia precoce (penicilina cristalina ou ceftriaxona), suporte hemodinâmico e manejo das complicações orgânicas. A hidratação deve ser cuidadosa, monitorando o balanço hídrico, especialmente na presença de insuficiência renal e infiltrados pulmonares, para evitar sobrecarga volêmica e edema agudo de pulmão. A internação em UTI é frequentemente necessária.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de leptospirose grave?

A leptospirose grave, ou Síndrome de Weil, manifesta-se com febre, icterícia, disfunção renal, hemorragias, mialgias intensas (especialmente em panturrilhas) e sufusões conjuntivais.

Qual o tratamento antibiótico para leptospirose grave?

O tratamento de escolha para leptospirose grave é penicilina cristalina intravenosa, ou ceftriaxona, administrada em doses adequadas e iniciada precocemente para reduzir a gravidade e mortalidade.

Por que a hidratação vigorosa é contraindicada na leptospirose grave com disfunção renal?

A hidratação vigorosa pode causar sobrecarga volêmica e agravar o edema pulmonar, comum na leptospirose grave, especialmente em pacientes com insuficiência renal e comprometimento pulmonar.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo