Leptospirose Grave: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

SMS Piracicaba - Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba (SP) — Prova 2020

Enunciado

Homem, 45 anos, morador da periferia de uma cidade de grande porte, dá entrada no pronto socorro com queixas de febre e dores em membros inferiores há 6 dias, com piora dos sintomas e do estado geral nas ultimas 24 h. Relata febre de início súbito e irregular. A mialgia era localizada em panturrilhas bilateralmente, com piora à palpação, sem edemas. Nos últimos dias, além da queda do estado geral, apresenta também anorexia, diminuição da ingesta de líquidos e queda do débito urinário. Além de episódios de tosse com rajas de sangue. Ao exame físico apresentava-se lucido, orientado, taquipneico, desidratado ++/4+ e ictérico ++/4+. Tº 37,8ºC, presença de crepitações nas bases pulmonares. Fígado a 8 cm do rebordo costal. Exames laboratoriais evidenciando: creatinina 3,92 mg/dl; ureia 114 mg/dl, TGO 1251 UI/L, TGP 202 UI/L, bilirrubinas elevadas. Dentre as Causas de febre e mialgia aguda a hipótese mais provável para esse paciente é:

Alternativas

  1. A) Dengue
  2. B) Leptospirose
  3. C) Endocardite
  4. D) Malária
  5. E) Febre Amarela

Pérola Clínica

Leptospirose grave = febre, mialgia panturrilha, icterícia, IRA, hemorragia pulmonar. Pense em áreas de risco.

Resumo-Chave

A leptospirose grave, ou Síndrome de Weil, é uma infecção bacteriana zoonótica que se manifesta com febre, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), icterícia, disfunção renal e hepática, e pode evoluir com hemorragia pulmonar. O contexto epidemiológico de morador de periferia e contato com enchentes ou roedores é crucial para a suspeita diagnóstica.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero Leptospira, com alta incidência em regiões tropicais e subtropicais. É uma doença de grande importância em saúde pública, especialmente em áreas com saneamento básico deficiente e após enchentes, devido ao contato com água e solo contaminados pela urina de animais infectados, principalmente roedores. A doença pode variar de formas assintomáticas a quadros graves com alta letalidade, sendo crucial o reconhecimento precoce. A fisiopatologia envolve a invasão da bactéria através de lesões na pele ou mucosas, disseminando-se pela corrente sanguínea e atingindo diversos órgãos. A fase grave, conhecida como Síndrome de Weil, é caracterizada por icterícia, insuficiência renal aguda e manifestações hemorrágicas, incluindo hemorragia pulmonar, que é uma das principais causas de óbito. O diagnóstico é baseado na suspeita clínica, epidemiologia e exames laboratoriais como sorologia (ELISA, MAT) e PCR. A mialgia intensa, especialmente em panturrilhas, e a tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragia são altamente sugestivas. O tratamento da leptospirose é feito com antibioticoterapia, sendo penicilina G ou ceftriaxona as opções para casos graves, e doxiciclina para casos leves. O suporte clínico é fundamental para manejar as complicações, como a insuficiência renal (podendo necessitar de diálise) e as hemorragias. A prevenção envolve medidas de saneamento, controle de roedores e evitar contato com águas de enchente. O prognóstico depende da gravidade do quadro e da rapidez do início do tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da leptospirose grave (Síndrome de Weil)?

A leptospirose grave se manifesta com febre alta, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), icterícia, insuficiência renal aguda, disfunção hepática e, em casos mais graves, hemorragia pulmonar. O paciente pode apresentar também desidratação e queda do estado geral.

Qual a importância do contexto epidemiológico no diagnóstico da leptospirose?

O contexto epidemiológico é fundamental, pois a leptospirose é transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, principalmente roedores. Moradores de periferia, áreas com saneamento precário ou histórico de enchentes têm maior risco de exposição.

Como diferenciar leptospirose de outras causas de febre e mialgia aguda?

A diferenciação envolve a análise do quadro clínico completo e exames laboratoriais. Enquanto dengue pode causar mialgia e febre, a icterícia e a insuficiência renal aguda são mais proeminentes na leptospirose. Malária e febre amarela também são diferenciais, mas a mialgia em panturrilhas e a disfunção renal/hepática grave são marcadores importantes da leptospirose.

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