Leptospirose Grave: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

UNIGRANRIO - Universidade do Grande Rio (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 30 anos, pedreiro, morador de Jardim Primavera, chega ao pronto-socorro com quadro de cefaléia e mialgias intensas que se iniciaram há 2 dias e estavam piorando progressivamente. No dia da consulta, notou urina escura e coloração amarelada na pele. Familiares referem que o paciente não viaja há mais de 6 meses. Ao exame apresenta-se em regular estado geral, febril, letárgico, com força muscular e tônus muscular preservador, porém havia rigidez de nuca +/4+, ictericia +++/IV, petéquias subconjuntivais, fígado e baço não eram palpáveis. Colhido liquor, este era claro, com 98 leucócitos, sendo 80% de células linfomononucleares. Glicose e proteínas eram normais. Não se observaram bactérias no GRAM; leucograma com 14.500 leucócitos, 20% bastões; 70% de segmentados e 0 (zero) eosinófilo e plaquetas=74.000; Na+ = 135 mEq/l; K+ = 2,0 mEq/l; creatinina = 5,2mg/dl;bilirrubina total de 12 mg/dl com 9,0 de direita; AST(TGO) e ALT(TGP) de 100 e 110 UI. Com esses dados, você pode considerar como principal hipótese:

Alternativas

  1. A) Febre Amarela.
  2. B) SIDA com infecção pelo Citomegalovírus
  3. C) Dengue Visceral.
  4. D) Leptospirose.

Pérola Clínica

Leptospirose grave: icterícia + IRA + hemorragia + mialgia + febre + rigidez de nuca.

Resumo-Chave

A leptospirose é uma zoonose com amplo espectro clínico. A forma grave (Doença de Weil) cursa com icterícia, disfunção renal e hepática, e manifestações hemorrágicas. O ambiente de trabalho (pedreiro) e a localização (Jardim Primavera) são fatores de risco importantes.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados. É endêmica em muitas regiões tropicais e subtropicais, com maior incidência em períodos chuvosos e em populações com exposição ocupacional ou recreativa. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas anictéricas leves até síndromes graves com alta mortalidade. O diagnóstico da leptospirose grave, também conhecida como Doença de Weil, deve ser suspeitado em pacientes com febre, mialgia intensa, icterícia, insuficiência renal aguda e manifestações hemorrágicas, como petéquias subconjuntivais. Achados laboratoriais comuns incluem leucocitose com desvio à esquerda, trombocitopenia, elevação de bilirrubinas (predomínio da direta), transaminases e creatinina, além de hipocalemia. A ausência de eosinófilos no hemograma é um dado importante. O líquor pode mostrar pleocitose linfomononuclear. O tratamento da leptospirose envolve antibioticoterapia (penicilina G cristalina ou ceftriaxona para casos graves) e suporte intensivo, especialmente para a insuficiência renal e distúrbios hidroeletrolíticos. O prognóstico depende da gravidade da doença e da prontidão do tratamento. A prevenção é fundamental e inclui medidas de saneamento básico e proteção individual em áreas de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da leptospirose grave (Doença de Weil)?

A leptospirose grave se manifesta com icterícia intensa, insuficiência renal aguda, manifestações hemorrágicas (como petéquias subconjuntivais), mialgia severa, febre e, em alguns casos, rigidez de nuca.

Por que a hipocalemia é um achado laboratorial relevante na leptospirose?

A hipocalemia é um achado comum na leptospirose devido à disfunção tubular renal induzida pela infecção, que leva a perdas renais de potássio, contribuindo para o quadro de desequilíbrio eletrolítico.

Como diferenciar a leptospirose de outras causas de icterícia e insuficiência renal?

A diferenciação envolve a análise do contexto epidemiológico (exposição a água/solo contaminados, ocupação), a presença de mialgia intensa, petéquias subconjuntivais e a ausência de eosinofilia, que é característica da leptospirose.

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