Leptospirose: Diagnóstico, Sinais e Tratamento na Fase Precoce

UFCG/HUAC - Hospital Universitário Alcides Carneiro - Campina Grande (PB) — Prova 2020

Enunciado

Paciente do sexo masculino, pedreiro, 42 anos, relata que há cinco dias, após intenso dia de trabalho, cursou com mialgia em membros Inferiores, mais intensa à direita, e não procurou ajuda médica por achar que era efeito do trabalho. Há 3 dias vem apresentando cefaleia, náuseas e dor abdominal leve difusa, além de febre (padrão 38 a 39º C, em várias aferições). Nega doenças pregressas, hemotransfusões e alergias. Antecedentes epidemiológicos: positivo para Esquistossomose (banho de rio na região de Barra de Santana/PB, na infância) e para arboviroses (surto de dengue e febre amarela na região onde mora); refere irmã que teve quadro semelhante recentemente, a qual trabalha junto com ele diariamente no mesmo local, e que suspeitaram de calazar, mas sem conclusão diagnóstica. Refere contato constante com água de chuva no local de trabalho, que tem acúmulo de lixo e roedores. Faz uso de botas, mas percebeu um pequeno furo nestas no dia anterior ao início da mialgia, tendo encharcado os pés com a água da construção. Ao exame físico, bom estado geral, fácies de dor, abatido, anictérico e acianótico. Dados vitais: Pressão arterial: 120×85 mmHg; Frequência cardíaca: 82 bpm; Frequência respiratória: 18 incursões/min; Temperatura: 39°C; Saturação de O2: 94% em ar ambiente. Aparelho respiratório e cardiovascular normais. Abdome: Plano, levemente tenso com ruídos hidroaéreos normais. Doloroso difusamente à palpação superficial e profunda, sem visceromegalias. Aparelho osteomuscular: dor à palpação de panturrilhas. Extremidades: Aquecidas, perfundidas e sem edemas. Pulsos simétricos e rítmicos. Neurológico: Hipoativo, atendendo aos comandos, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem déficits perceptíveis. Hemograma: leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda. Bilirrubina total: 1,1 mg/dL; bilirrubina direta: 0,6 mg/dL; Ureia: 41 mg/dL; Creatinina: 1,1 mg/dL; TGO/AST: 35 U/L; TGP/ALT: 51 U/L; Eletrólitos: normais; Radiografia de Tórax sem alterações. Na dúvida diagnóstica, optou-se por internação hospitalar, tendo recebido alta assintomático após alguns dias. Considerando o exposto, marque a alternativa que contém uma suspeita diagnóstica possível, bem como um exame confirmatório possível e a conduta específica (considerando a fase evolutiva do caso) para a patologia presumida, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Leptospirose; reação intradérmica de Montenegro; tratamento com repouso, hidratação vigorosa, sintomáticos e Cefotaxima, via endovenosa, por 7 a 14 dias.
  2. B) Febre amarela; reação de Mantoux; tratamento com repouso, hidratação vigorosa, sintomáticos.
  3. C) Dengue; reação de Machado-Guerreiro; tratamento com repouso, hidratação vigorosa, sintomáticos e Cefotaxima 2 gramas, endovenoso, de 6 em 6 horas, por 14 dias.
  4. D) Leptospirose; teste de microaglutinação; tratamento com repouso, hidratação vigorosa, sintomáticos e Doxiciclina 100mg, Via Oral, 12/12 horas por 5 a 7 dias.
  5. E) Febre amarela: antígeno NS1; tratamento com repouso, hidratação vigorosa, sintomáticos.

Pérola Clínica

Febre + mialgia intensa (panturrilhas) + exposição a água/roedores → suspeitar Leptospirose → MAT e Doxiciclina oral (fase precoce).

Resumo-Chave

A leptospirose é uma zoonose bacteriana comum em áreas com saneamento precário e contato com roedores. A tríade clássica de febre, cefaleia e mialgia (especialmente em panturrilhas) é um forte indicativo, e a história de exposição é crucial para o diagnóstico. O tratamento precoce com Doxiciclina é eficaz.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com água, solo ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. É uma doença de grande importância em saúde pública, com surtos frequentes após enchentes e em populações com exposição ocupacional, como pedreiros. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas ou leves (fase anictérica) até quadros graves com icterícia, insuficiência renal e hemorragias (Síndrome de Weil). Os sintomas iniciais incluem febre alta, cefaleia intensa, mialgia (especialmente em panturrilhas), náuseas, vômitos e dor abdominal. A história epidemiológica de exposição é um pilar fundamental para a suspeita diagnóstica. O diagnóstico laboratorial é confirmado pelo teste de microaglutinação (MAT), que detecta anticorpos específicos, sendo o padrão ouro. Na fase precoce da doença (até 7 dias de sintomas), o tratamento com antibióticos como Doxiciclina (100mg VO 12/12h por 5-7 dias) para casos leves a moderados, ou Penicilina G/Ceftriaxona IV para casos graves, é crucial para reduzir a gravidade e a duração da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da leptospirose?

A leptospirose manifesta-se classicamente com febre alta, cefaleia intensa e mialgia, especialmente em panturrilhas. Outros sintomas podem incluir náuseas, vômitos, dor abdominal e, em casos graves, icterícia e insuficiência renal.

Como é feito o diagnóstico confirmatório da leptospirose?

O diagnóstico confirmatório da leptospirose é feito principalmente pelo teste de microaglutinação (MAT), que detecta anticorpos específicos e é considerado o padrão ouro. Exames moleculares (PCR) podem ser úteis na fase aguda.

Qual o tratamento indicado para leptospirose na fase precoce?

Na fase precoce da leptospirose (até 7 dias de sintomas), o tratamento para casos leves a moderados é com Doxiciclina 100mg, via oral, 12/12 horas por 5 a 7 dias. Para casos graves, Penicilina G ou Ceftriaxona endovenosa são indicadas.

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