Leptospirose: Diagnóstico Clínico e Laboratorial Essencial

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023

Enunciado

Um homem de 50 anos vai ao ambulatório relatando 3 dias de febre e icterícia. Ele mora em área urbana com falta de saneamento básico e nega viagens recentes. Além de febre e de icterícia, apresenta náuseas, eritema conjuntival bilateral e dor muscular, especialmente em panturrilhas. Os exames iniciais indicam leucocitose com neutrofilia e apresentam os seguintes resultados: potássio de 3 mEq/L (valor de referência [VR]: 3,5 a 5,1 mEq/L); creatinina de 1,8 mg/dL (VR: 0,6 a 1,2 mg/dL); bilirrubina total de 24 mg/dL (VR: 0,2 a 1,2 mg/dL); bilirrubina direta de 19 mg/dL (VR: até 1 mg/dL); transaminase glutâmico oxalacética (TGO) de 98 U/L (VR: 5 a 40 U/L); e transaminase glutâmico pirúvica (TGP) de 102 U/L (VR: 7 a 56 U/L). A partir dessas informações, é correto afirmar que a hipótese pertinente para o caso apresentado e a investigação complementar são, respectivamente, 

Alternativas

  1. A) dengue; sorologia IgM para dengue.
  2. B) hepatite por vírus B; Anti-HBc e HBsAg.
  3. C) leptospirose; teste de microaglutinação.
  4. D) febre amarela; sorologia IgM para febre amarela.

Pérola Clínica

Febre + icterícia + mialgia panturrilha + eritema conjuntival + IR + área saneamento precário → Leptospirose.

Resumo-Chave

A leptospirose é uma zoonose bacteriana comum em áreas com saneamento precário, apresentando-se com febre, icterícia, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas) e eritema conjuntival. A presença de insuficiência renal e hepática, com hipocalemia, é característica da forma grave (Síndrome de Weil), sendo o teste de microaglutinação (MAT) o padrão-ouro para diagnóstico.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma doença infecciosa zoonótica causada por bactérias do gênero *Leptospira*, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. É endêmica em áreas com saneamento básico deficiente e após enchentes, sendo um importante problema de saúde pública no Brasil. A doença pode apresentar-se em duas fases: a fase anictérica (leve) e a fase ictérica (grave), conhecida como Síndrome de Weil. Os sintomas incluem febre alta, cefaleia, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), eritema conjuntival (olhos avermelhados), náuseas e vômitos. A Síndrome de Weil é caracterizada por icterícia, insuficiência renal aguda, hemorragias e disfunção hepática, com elevação de bilirrubinas e transaminases (geralmente < 200 U/L) e, por vezes, hipocalemia. O diagnóstico é inicialmente clínico-epidemiológico e laboratorial. Exames como hemograma (leucocitose com neutrofilia), função renal e hepática são úteis. A confirmação diagnóstica é feita por métodos sorológicos, sendo o teste de microaglutinação (MAT) o padrão-ouro, detectando anticorpos IgM e IgG. O tratamento precoce com antibióticos (penicilina ou doxiciclina) é fundamental para reduzir a gravidade e a mortalidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas clássicos da leptospirose?

Os sintomas clássicos incluem febre alta, cefaleia, mialgia intensa (principalmente em panturrilhas), eritema conjuntival, náuseas, vômitos e, nas formas graves, icterícia, insuficiência renal e hemorragias.

Por que a mialgia em panturrilhas é um achado importante na leptospirose?

A mialgia intensa, especialmente nas panturrilhas, é um sintoma característico da leptospirose e ajuda a diferenciá-la de outras doenças febris. É causada pela ação direta das leptospiras nas fibras musculares.

Qual o papel do teste de microaglutinação (MAT) no diagnóstico de leptospirose?

O MAT é o padrão-ouro para o diagnóstico sorológico da leptospirose. Ele detecta anticorpos específicos contra diferentes sorovares de *Leptospira* e é útil para confirmar o diagnóstico, especialmente na fase tardia da doença.

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