UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020
Homem, 22a, trabalhador da coleta de lixo, procurou a Unidade de Pronto Atendimento com febre alta há 5 dias acompanhada de cefaleia e mialgia intensa. Evoluiu há 2 dias com exantema maculopapular, cansaço e icterícia. Exame físico: T= 38,4ºC, ictérico ++/4+; olhos: hiperemia conjuntival; membros: dor à palpação das panturrilhas. A CONDUTA É:
Febre, mialgia intensa (panturrilhas), icterícia, hiperemia conjuntival em trabalhador de lixo → Leptospirose = Penicilina cristalina.
O quadro clínico com febre, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), icterícia, hiperemia conjuntival e histórico ocupacional (coleta de lixo) é altamente sugestivo de leptospirose. O tratamento de escolha para casos graves é a penicilina cristalina intravenosa.
A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. É uma doença de grande importância em saúde pública, com maior incidência em áreas com saneamento básico deficiente e após enchentes. Residentes e estudantes devem estar atentos à sua apresentação clínica variada. O quadro clínico típico da leptospirose inclui duas fases: a fase anictérica (ou fase febril) e a fase imune. A fase anictérica é caracterizada por febre alta, cefaleia, mialgia intensa (especialmente nas panturrilhas), hiperemia conjuntival e prostração. Em cerca de 10-15% dos casos, a doença evolui para a forma grave, conhecida como Síndrome de Weil, que se manifesta com icterícia, insuficiência renal, hemorragias (pulmonares são graves) e miocardite. O histórico de exposição, como o do trabalhador da coleta de lixo, é um forte indício diagnóstico. O tratamento da leptospirose depende da gravidade. Para casos leves, a doxiciclina oral é a escolha. Para casos graves, como o descrito na questão, a penicilina cristalina intravenosa é o antibiótico de primeira linha, devendo ser iniciada o mais precocemente possível para reduzir a mortalidade e as complicações. O suporte clínico intensivo é fundamental para manejar a insuficiência renal e as hemorragias.
A leptospirose grave, ou Síndrome de Weil, é caracterizada por icterícia intensa, disfunção renal, hemorragias (incluindo pulmonares) e miocardite. Sinais iniciais incluem febre alta, cefaleia, mialgia intensa (principalmente em panturrilhas) e hiperemia conjuntival.
Para casos graves de leptospirose, o tratamento de escolha é a penicilina cristalina intravenosa. A doxiciclina pode ser usada em casos leves a moderados ou como profilaxia pós-exposição.
O histórico ocupacional, como trabalhador da coleta de lixo, é um fator de risco importante para leptospirose, pois indica exposição a ambientes contaminados por urina de roedores. Isso deve levantar a suspeita diagnóstica em pacientes com sintomas compatíveis.
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