INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024
Um homem com 18 anos, residente em área urbana da região Sudeste, sujeita a inundação, chega ao pronto-socorro, durante período de chuvas, queixando-se de febre, mal-estar, mialgia e desconforto abdominal há 1 semana. Refere também que, há 4 dias, sentiu piora da mialgia e surgimento de colúria. Ao exame físico, apresenta-se: em estado geral regular, hidratado, hipocorado (++/4+), ictérico (+++/4+) e com sufusão hemorrágica conjuntival moderada, com temperatura axilar de 38 °C, frequência cardíaca de 110 bpm, pressão arterial de 110 X 70 mmHg. Verificam-se, ainda, dor à palpação dos músculos dos membros inferiores; abdome flácido, doloroso à palpação no hipocôndrio direito e presença de hepatomegalia. Os resultados dos exames laboratoriais registram:Diante do quadro clínico e laboratorial descrito, qual é a hipótese diagnóstica mais provável?
Febre + mialgia intensa + icterícia + sufusão conjuntival + exposição a enchentes → Leptospirose.
A leptospirose deve ser fortemente suspeitada em pacientes com febre, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), icterícia e sufusão hemorrágica conjuntival, particularmente se houver histórico de exposição a águas de enchente ou ambientes contaminados.
A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. É comum em períodos de chuva e enchentes, sendo um importante problema de saúde pública em áreas urbanas e rurais. O quadro clínico da leptospirose é variado, podendo ser anictérico (forma leve) ou ictérico (forma grave, conhecida como Síndrome de Weil). A fase anictérica apresenta febre, cefaleia e mialgia intensa, principalmente em panturrilhas. A fase ictérica, que ocorre em cerca de 5-10% dos casos, é caracterizada por icterícia, insuficiência renal aguda, manifestações hemorrágicas (incluindo sufusão conjuntival) e disfunção hepática, com potencial para alta letalidade. O diagnóstico é baseado na tríade epidemiológica (exposição), clínica (febre, mialgia, icterícia, sufusão conjuntival) e laboratorial. Exames como hemograma, função renal e hepática, e sorologia (ELISA IgM, microaglutinação - MAT) são fundamentais. O tratamento precoce com antibióticos (penicilina ou doxiciclina) é crucial para reduzir a gravidade e a mortalidade, além do suporte clínico intensivo para as complicações.
A leptospirose manifesta-se classicamente com febre alta, mialgia intensa (principalmente em panturrilhas), cefaleia, e em formas graves, icterícia, sufusão hemorrágica conjuntival, insuficiência renal e hemorragias.
A sufusão hemorrágica conjuntival é um sinal altamente sugestivo de leptospirose, diferenciando-a de outras causas de icterícia e febre, como a hepatite viral ou dengue.
A exposição a águas de enchente, lama, esgoto ou contato com animais (roedores) em áreas endêmicas é um dado epidemiológico crucial que reforça a suspeita diagnóstica de leptospirose em pacientes com quadro clínico compatível.
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