Leptospirose Grave: Diagnóstico e Síndrome de Weil

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014

Enunciado

Um homem, com 35 anos de idade, é removido para Hospital após dar entrada em Unidade de Pronto Atendimento com quadro súbito de calafrios, febre alta, mialgia intensa, principalmente em panturrilhas, e hiperemia conjuntival. Familiares informaram que o paciente residia em área de alagamento, ocorrido recentemente. Ao dar entrada no Hospital, foram solicitados hemograma completo, que revelou leucocitose com neutrofilia e desvio para a esquerda, e radiografia de tórax, cujo laudo foi de pneumonite intersticial. Foi iniciada antibioticoterapia venosa com amoxicilina + clavulanato de potássio associada a claritromicina. No terceiro dia de internação, o paciente evoluiu com piora do quadro clínico, sem oligúria, aparecimento de icterícia, hipocalemia, elevação dos níveis séricos de ureia, creatinina e creatino-fosfoquinase (CPK). O exame físico evidenciou hepatomegalia e diátese hemorrágica. O paciente evoluiu com insuficiência respiratória aguda e necessidade de intubação orotraqueal, onde foi visualizado sangramento de vias aéreas. Nova radiografia de tórax mostrou áreas de condensação alveolar difusas. Foi realizada ultrassonografia renal que evidenciou rins aumentados de tamanho, com ecogenicidade normal. Qual a hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Dengue.
  2. B) Hantavirose.
  3. C) Leptospirose.
  4. D) Febre macular.

Pérola Clínica

Febre + Mialgia (panturrilha) + Icterícia + Hipocalemia + Alagamento = Leptospirose.

Resumo-Chave

A Síndrome de Weil é a forma grave da leptospirose, caracterizada pela tríade de icterícia, insuficiência renal aguda (com hipocalemia) e diátese hemorrágica.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose causada pela bactéria *Leptospira interrogans*, transmitida pelo contato com urina de roedores infectados, comum após enchentes. O quadro clínico varia de uma síndrome gripal leve até a forma ictero-hemorrágica grave. O manejo da forma grave exige suporte intensivo, antibioticoterapia (Penicilina G cristalina ou Ceftriaxone) e monitorização rigorosa da função renal e respiratória. A hemorragia alveolar pode ser súbita e maciça, exigindo ventilação mecânica com estratégias de proteção pulmonar. O diagnóstico laboratorial baseia-se na sorologia (MAT) ou detecção direta por PCR, mas o tratamento não deve ser retardado aguardando exames.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a Síndrome de Weil?

A Síndrome de Weil é a manifestação grave da leptospirose, ocorrendo em cerca de 10% dos casos. É definida pela tríade de icterícia (geralmente de tom alaranjado ou 'rubínico'), insuficiência renal aguda e fenômenos hemorrágicos, especialmente hemorragia alveolar/pulmonar, que é a principal causa de óbito.

Por que ocorre hipocalemia na insuficiência renal por leptospirose?

Diferente da maioria das formas de insuficiência renal aguda que cursam com hipercalemia, a leptospirose causa uma nefropatia perdedora de potássio. Isso ocorre devido à inibição do transportador Na-K-2Cl na alça de Henle e ao aumento da secreção distal de potássio, resultando em hipocalemia mesmo com níveis elevados de ureia e creatinina.

Qual a importância da mialgia de panturrilhas e hiperemia conjuntival?

A mialgia intensa, particularmente nas panturrilhas, e a sufusão (hiperemia) conjuntival são sinais precoces e muito sugestivos de leptospirose na fase inicial (leptospirêmica). A sufusão conjuntival é um achado característico que ajuda a diferenciar a leptospirose de outras síndromes febris como dengue ou malária.

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