ENARE/ENAMED — Prova 2025
Um paciente de 22 anos apresentou quadro clínico com início abrupto de febre, cefaleia, mialgia, anorexia, náuseas e vômitos. Foi avaliado na UPA e liberado com prescrição de sintomáticos. Vinte e quatro horas depois, apresentou diarreia, artralgia, dor ocular, fotofobia e hemorragia conjuntival, além de tosse. Foi internado, recebendo hidratação venosa e sintomáticos venosos. Foram solicitados exames complementares, com os seguintes resultados: leucocitose, neutrofilia e desvio à esquerda, plaquetopenia, aumento de ureia e creatinina, CPK elevada, baixa densidade urinária, proteinúria, hematúria microscópica e leucocitúria.Foi então iniciada antibioticoterapia com sulfametoxazol + trimetoprima. Logo a seguir, o paciente apresentou exantema, eritema macular, papular purpúrico, distribuídos no tronco ou na região pré-tibial. USG exibiu hepatomegalia, esplenomegalia e linfadenopatia. Na ocasião, reclamou de intensa mialgia, principalmente em região lombar e nas panturrilhas. Apesar do uso de antibiótico, não apresentou melhora, com evolução para tríade insuficiência renal, icterícia rubínica e hemorragia pulmonar discreta (síndrome de Weil). Foi intubado e no CTI iniciou penicilina G cristalina em dose plena e cuidados intensivos. Após 10 dias, apresentou melhora clínica, sendo transferido para enfermaria até concluir seu tratamento.A doença descrita acima é:
Leptospirose grave (Weil) → tríade: icterícia rubínica, IRA, hemorragia pulmonar + mialgia intensa.
A leptospirose é uma zoonose com apresentação bifásica, podendo evoluir para formas graves como a Síndrome de Weil, caracterizada pela tríade de icterícia rubínica, insuficiência renal aguda e manifestações hemorrágicas, especialmente pulmonares, além de mialgia intensa e CPK elevada.
A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. Apresenta-se em duas fases: uma fase septicêmica (com febre, mialgia, cefaleia) e, em alguns casos, uma fase imune, onde podem ocorrer manifestações graves. A forma grave, conhecida como Síndrome de Weil, é caracterizada pela tríade de icterícia rubínica (amarelo-alaranjada), insuficiência renal aguda e manifestações hemorrágicas, incluindo hemorragia pulmonar. Outros achados comuns são mialgia intensa (principalmente em panturrilhas e região lombar), plaquetopenia e elevação da CPK. O diagnóstico é clínico-epidemiológico e laboratorial (sorologia, PCR). O tratamento da leptospirose grave deve ser iniciado precocemente com penicilina G cristalina intravenosa. Medidas de suporte intensivo são cruciais para manejar a insuficiência renal, as hemorragias e outras disfunções orgânicas. A prevenção envolve evitar contato com águas de enchentes e controle de roedores.
A Síndrome de Weil é caracterizada pela tríade de icterícia rubínica, insuficiência renal aguda e manifestações hemorrágicas (como hemorragia pulmonar), além de mialgia intensa, febre e plaquetopenia.
O tratamento de escolha para a leptospirose grave é a penicilina G cristalina intravenosa em altas doses, associada a medidas de suporte intensivo para as disfunções orgânicas.
A leptospirose é transmitida pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados (principalmente roedores). Fatores de risco incluem exposição a enchentes, atividades recreativas em águas contaminadas e ocupações de risco.
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