Leptospirose Grave: Diagnóstico e Manejo Pós-Enxurrada

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Paciente sexo masculino, 32 anos, procura atendimento médico relatando febre, mialgia, cefaleia e náuseas iniciados há 10 dias, evoluindo há 2 dias com pele alaranjada, tosse, dor torácica e expectoração hemoptoica. Nega viagens recentes e uso de medicações. Há 15 dias teve exposição prolongada à enxurrada tentando salvar seus móveis durante um temporal. Vacinações em dia. Diante do quadro clínico descrito, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Possíveis diagnósticos diferenciais podem ser febre amarela, hantavirose e dengue grave.
  2. B) Provavelmente o paciente foi contaminado durante enxurrada pela penetração do vírus na pele.
  3. C) As medidas terapêuticas de suporte devem ser iniciadas precocemente com o objetivo de evitar complicações, principalmente as renais, e óbito.
  4. D) O caso deve ser notificado, o mais rapidamente possível, para o desencadeamento das ações de vigilância epidemiológica e controle.

Pérola Clínica

Febre, mialgia, icterícia, hemoptise + exposição a enxurrada → Leptospirose grave (Síndrome de Weil). Contaminação por bactéria, não vírus.

Resumo-Chave

O quadro clínico com febre, mialgia, icterícia e hemoptise, associado à exposição a enxurradas, é altamente sugestivo de leptospirose grave (Síndrome de Weil). A leptospirose é causada por uma bactéria (Leptospira spp.) e a transmissão ocorre principalmente por contato da pele ou mucosas com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana aguda, causada por espiroquetas do gênero Leptospira, com ampla distribuição global. É uma doença de grande importância em saúde pública, especialmente em áreas com saneamento básico deficiente e após eventos de enchentes, devido à contaminação da água e do solo pela urina de roedores infectados. A transmissão ocorre por contato da pele lesada ou mucosas com água ou solo contaminados. O quadro clínico da leptospirose é bifásico. A fase anictérica (leve) apresenta febre, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), cefaleia e náuseas. A fase ictérica (grave), conhecida como Síndrome de Weil, ocorre em cerca de 5-10% dos casos e é caracterizada por icterícia (pele alaranjada), insuficiência renal aguda, manifestações hemorrágicas (como hemoptise, epistaxe, petéquias), miocardite e alterações neurológicas. O diagnóstico é clínico-epidemiológico, confirmado por exames laboratoriais (sorologia, PCR). O tratamento deve ser iniciado precocemente com antibióticos (penicilina ou doxiciclina) e medidas de suporte intensivas, visando prevenir e tratar as complicações, principalmente a insuficiência renal e as hemorragias, que são as principais causas de óbito. A notificação compulsória é fundamental para a vigilância epidemiológica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da leptospirose grave (Síndrome de Weil)?

A Síndrome de Weil, forma grave da leptospirose, é caracterizada por icterícia intensa, insuficiência renal aguda, hemorragias (incluindo hemoptise), miocardite e disfunção hepática. A fase inicial inclui febre, mialgia e cefaleia.

Como ocorre a transmissão da leptospirose?

A leptospirose é transmitida pelo contato direto ou indireto com a urina de animais infectados (principalmente roedores), através de água, solo ou alimentos contaminados. A bactéria penetra no corpo por lesões na pele, mucosas ou, menos comumente, por ingestão.

Quais são os diagnósticos diferenciais importantes para a leptospirose?

Os diagnósticos diferenciais incluem outras doenças febris com icterícia e hemorragias, como febre amarela, dengue grave, hantavirose, malária grave, hepatites virais e outras infecções bacterianas ou virais que cursam com disfunção orgânica.

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