Leptospirose Grave: Diagnóstico e Conduta na Síndrome de Weil

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 28 anos, técnico em saneamento, é admitido no pronto-socorro com febre alta, mialgia intensa em panturrilhas e icterícia leve, sintomas presentes há seis dias. Relata que esteve recentemente em contato com água de enchente e lama durante o trabalho. No exame físico, apresenta-se com mucosas levemente ictéricas e desconforto à palpação difusa no abdome, sem sinais de irritação peritoneal. As panturrilhas estão dolorosas à palpação, sem sinais de edema. Está hemodinamicamente estável, com pressão arterial de 110/70 mmHg e frequência cardíaca de 98 bpm. Exames laboratoriais mostram: • Bilirrubina total 3,5 mg/dL. (direta: 2,0 mg/dL) Creatinina sérica 16 mg/dl; • AST: 85 U/L ALT: 78 U/L Leucocitos: 14.500/mm com predominio de neutrófilos; • Sorologia para Leptospirose: aguardando resultado. Com base nos achados clínicos e laboratoriais, qual das alternativas abaixo representa a melhor conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Iniciar doxiciclina oral e aguardar o resultado da sorologia para confirmar o diagnóstico.
  2. B) Administrar paracetamol e aguardar os resultados laboratoriais para confirmação diagnóstica.
  3. C) Manter hidratação oral, repouso e analgesia com anti-inflamatórios.
  4. D) Prescrever antibioticoterapia profilática com cefalexina e liberar o paciente com orientações.
  5. E) Internar o paciente e iniciar penicilina cristalina intravenosa imediatamente.

Pérola Clínica

Febre + Icterícia + Mialgia panturrilha + ↑Creatinina = Leptospirose (Weil) → Penicilina IV.

Resumo-Chave

A forma grave da leptospirose (Síndrome de Weil) cursa com a tríade de icterícia, insuficiência renal e hemorragia. O tratamento deve ser imediato com antibióticos intravenosos.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose de importância mundial, transmitida pela exposição à urina de animais infectados, principalmente ratos, em situações de enchentes. A fisiopatologia envolve uma vasculite sistêmica. O caso clínico apresenta a forma grave, sugerida pela icterícia e pela creatinina muito elevada (16 mg/dL), o que exige suporte hospitalar imediato. O diagnóstico é clínico-epidemiológico inicial, e o tratamento não deve ser retardado por exames laboratoriais confirmatórios. Além da antibioticoterapia, o manejo rigoroso do equilíbrio hidroeletrolítico e a monitorização de complicações pulmonares são essenciais para a sobrevivência do paciente.

Perguntas Frequentes

Qual a tríade clássica da Síndrome de Weil?

A Síndrome de Weil, forma grave da leptospirose, é caracterizada pela tríade de icterícia (geralmente de tom alaranjado ou rubínico), insuficiência renal aguda (frequentemente hipocalêmica e não-oligúrica nas fases iniciais) e manifestações hemorrágicas, sendo a hemorragia alveolar a complicação mais temida.

Por que a creatinina sobe tanto na leptospirose?

A elevação da creatinina ocorre devido à nefrite tubulointersticial aguda causada pela invasão direta da Leptospira e pela resposta inflamatória sistêmica. Diferente de outras causas de insuficiência renal aguda, na leptospirose pode haver perda de potássio (hipocalemia) devido à inibição do transportador de sódio-potássio-cloro na alça de Henle.

Qual o antibiótico de escolha para casos graves internados?

Para pacientes com critérios de gravidade que necessitam de internação, as opções de primeira linha são a Penicilina G Cristalina (2 milhões de unidades IV a cada 4 horas) ou a Ceftriaxona (1 a 2g IV por dia). A doxiciclina é reservada para casos leves tratados ambulatorialmente.

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