Leptospirose e Síndrome de Weil: Diagnóstico Clínico

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Criança, resgatada de enchente, apresenta febre, mialgia em panturrilhas, conjuntivite não purulenta e icterícia progressiva. O diagnóstico mais provável é:

Alternativas

  1. A) Leptospirose.
  2. B) Malária.
  3. C) Hepatite A.
  4. D) Febre tifoide.
  5. E) Febre maculosa brasileira.

Pérola Clínica

Febre + Mialgia em panturrilhas + Sufusão conjuntival + Enchente → Leptospirose.

Resumo-Chave

A leptospirose é uma zoonose transmitida pela urina de roedores, comum após inundações, apresentando-se frequentemente com mialgia intensa e icterícia rubínica.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma doença infecciosa febril aguda causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida aos seres humanos pelo contato com urina de animais infectados (principalmente ratos) ou água e lama contaminadas. O cenário clássico envolve inundações e enchentes em áreas urbanas com saneamento precário. A fisiopatologia baseia-se em uma vasculite sistêmica que compromete múltiplos órgãos, explicando a diversidade de sintomas. A Síndrome de Weil representa a forma grave e ictero-hemorrágica da doença. A icterícia na leptospirose é peculiar, descrita como 'icterícia rubínica' devido à combinação de colestase e vasodilatação capilar (sufusão). A insuficiência renal aguda na leptospirose é classicamente não-oligúrica e hipocalêmica, devido à inibição do transportador de sódio-potássio-cloreto na alça de Henle e resistência à aldosterona. O tratamento precoce com antibióticos (doxiciclina em casos leves; penicilina G ou ceftriaxone em graves) é fundamental para reduzir a carga bacteriana e prevenir complicações.

Perguntas Frequentes

O que caracteriza a sufusão conjuntival na leptospirose?

A sufusão conjuntival é um achado clínico altamente sugestivo de leptospirose, caracterizado por hiperemia (vermelhidão) ocular bilateral, geralmente sem exsudato purulento, que aparece no início da fase febril. Diferencia-se das conjuntivites virais ou bacterianas comuns pela ausência de secreção e pela associação com mialgia intensa e história de exposição a águas contaminadas. É considerada um sinal patognomônico em contextos epidemiológicos sugestivos, auxiliando na diferenciação precoce de outras síndromes febris ictéricas.

Quais são as fases clínicas da leptospirose?

A doença possui um curso tipicamente bifásico. A fase precoce (leptospirêmica) dura de 3 a 7 dias, manifestando-se com febre alta, cefaleia e mialgia intensa (especialmente em panturrilhas). Após um curto período de melhora aparente, pode surgir a fase tardia (imune), onde cerca de 10% dos pacientes evoluem para a forma grave ou Síndrome de Weil. Esta síndrome é definida pela tríade de icterícia (geralmente rubínica), insuficiência renal aguda (frequentemente hipocalêmica) e manifestações hemorrágicas, principalmente hemorragia alveolar pulmonar.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da leptospirose?

O diagnóstico padrão-ouro é o teste de aglutinação microscópica (MAT), que detecta anticorpos específicos, mas requer laboratórios especializados. Na prática clínica inicial, utiliza-se o ELISA-IgM, que se torna positivo a partir do 5º ao 7º dia de sintomas. Exames inespecíficos auxiliam na gravidade: hemograma (leucocitose com desvio à esquerda), plaquetopenia, aumento de bilirrubinas (predomínio direta), elevação discreta de transaminases (diferente das hepatites virais onde são muito altas) e elevação de CPK devido à miosite.

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