Leptospirose: Diagnóstico e Sinais Clínicos Chave

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino, de 25 anos, previamente hígido, veio à Emergência por mal-estar, mialgias, febre de 39o C e tosse, quadro progressivo iniciado há 5 dias. Ao exame físico, apresentava-se ictérico e com sufusão conjuntival. Referiu que seu bairro e sua casa em Porto Alegre foram inundados há cerca de 14 dias devido às chuvas e que teve contato com água e lama. Considerando o caso e a principal hipótese diagnóstica, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Transaminases > 1.000 U/l indicariam provável diagnóstico de leptospirose.
  2. B) Insuficiência renal oligúrica é típica da doença.
  3. C) Hepatite A faz parte das hipóteses diagnósticas.
  4. D) Presença de tosse afasta a possibilidade de leptospirose.

Pérola Clínica

Leptospirose: febre, mialgia, icterícia, sufusão conjuntival, contato com água/lama. Tosse não afasta.

Resumo-Chave

A leptospirose é uma doença infecciosa com amplo espectro clínico, frequentemente associada a contato com água ou lama contaminada. Seus sintomas incluem febre, mialgia intensa, icterícia, sufusão conjuntival e, notavelmente, a presença de tosse não exclui o diagnóstico, sendo um sintoma comum em algumas formas da doença.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana causada por espiroquetas do gênero Leptospira, transmitida principalmente pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados, especialmente roedores. É uma doença de grande importância em saúde pública, com surtos frequentes após enchentes e inundações, como o cenário descrito em Porto Alegre. A apresentação clínica é variada, desde formas anictéricas leves até a forma grave, conhecida como Doença de Weil. Clinicamente, a leptospirose se manifesta em duas fases: a fase anictérica (leptospirêmica), com febre alta, mialgia intensa (panturrilhas), cefaleia, náuseas, vômitos e sufusão conjuntival; e a fase imune (leptospirúrica), que pode evoluir para a forma grave com icterícia, insuficiência renal (oligúrica ou não oligúrica), hemorragias (incluindo pulmonar) e miocardite. A tosse e outros sintomas respiratórios são achados frequentes e não afastam o diagnóstico. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui outras doenças febris e ictéricas, como hepatite A, malária, dengue e febre amarela. O tratamento da leptospirose é feito com antibióticos (penicilina G ou doxiciclina) e suporte clínico. A suspeita precoce e o início do tratamento são cruciais para reduzir a morbimortalidade, especialmente nas formas graves. A prevenção envolve evitar o contato com águas de enchente e uso de equipamentos de proteção individual em áreas de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da leptospirose?

A leptospirose apresenta uma fase inicial com febre alta, cefaleia, mialgia intensa (principalmente em panturrilhas), náuseas, vômitos e sufusão conjuntival. Em casos graves, pode evoluir para icterícia, insuficiência renal e hemorragia pulmonar.

A tosse é um sintoma comum na leptospirose?

Sim, manifestações pulmonares como tosse, dor torácica e dispneia são comuns na leptospirose, podendo variar de quadros leves a hemorragia pulmonar grave, que é uma das principais causas de óbito.

Por que a hepatite A pode ser uma hipótese diagnóstica diferencial em casos de icterícia e febre?

A hepatite A, assim como a leptospirose, pode causar febre, mal-estar e icterícia, tornando-a um importante diagnóstico diferencial, especialmente em regiões com saneamento precário ou após contato com água contaminada. A distinção é feita por sorologia específica.

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