Leptospirose: Diagnóstico e Sinais Chave em Residentes

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2015

Enunciado

JAL, 42 anos, operário de construção civil, mora em alojamento na obra, vem apresentando há cerca de 2 dias quadro de febre, astenia, calafrios, cefaleia, náuseas, vômitos, mialgia intensa em panturrilhas, dorso e abdome. Apresentava ¨olho vermelho¨, temp. 38,3º C, rash eritematosos em região pré tibial e muita dor á palpação de panturrilhas. Com relação a este quadro é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Sua profissão não contribui para o desenvolvimento do quadro.
  2. B) O quadro clínico sugere a fase imune da leptospirose, muitas vezes confundida com dengue e malária em áreas endêmicas. 
  3. C) Este quadro quando não tratado evolui para forma íctero-hemorrágica em cerca de 50 % dos casos.
  4. D) O isolamento do agente da leptospirose é mais efetivo e rápido na urina que no sangue nos primeiros 7 dias de doença. 
  5. E) A maior causa de mortalidade na leptospirose é a insuficiência renal aguda.

Pérola Clínica

Febre, mialgia intensa (panturrilhas), conjuntivite em trabalhador exposto → suspeitar leptospirose.

Resumo-Chave

A leptospirose é uma zoonose com apresentação clínica variada, frequentemente confundida com outras arboviroses. A história ocupacional (construção civil) e sintomas como mialgia intensa, febre e 'olho vermelho' (hiperemia conjuntival) são chaves para a suspeita diagnóstica.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero Leptospira. É uma doença de grande importância em saúde pública, especialmente em regiões com saneamento básico deficiente e após enchentes. A transmissão ocorre pelo contato da pele ou mucosas com água, solo ou alimentos contaminados pela urina de animais infectados, principalmente roedores. A doença apresenta duas fases principais: a fase leptospirêmica (ou anictérica), que dura cerca de 3 a 7 dias, caracterizada por febre alta, calafrios, cefaleia, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), náuseas, vômitos e hiperemia conjuntival. Esta fase é inespecífica e frequentemente confundida com dengue, malária ou outras arboviroses. A fase imune (ou tóxica) ocorre em cerca de 10-15% dos casos, após a primeira semana, e pode evoluir para formas graves como a doença de Weil (icterícia, insuficiência renal e hemorragias) ou síndrome de hemorragia pulmonar grave. O diagnóstico é baseado na epidemiologia, clínica e exames laboratoriais (isolamento do agente na fase inicial, sorologia MAT ou ELISA na fase imune). O tratamento precoce com antibióticos (penicilina ou doxiciclina) é fundamental para reduzir a gravidade e mortalidade. A insuficiência renal aguda é a principal causa de óbito. A prevenção envolve controle de roedores, saneamento básico e uso de equipamentos de proteção individual em atividades de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da leptospirose na fase inicial?

Na fase leptospirêmica (inicial), os sintomas incluem febre alta, calafrios, cefaleia, mialgia intensa (especialmente em panturrilhas), náuseas, vômitos e, caracteristicamente, hiperemia conjuntival ('olho vermelho').

Como diferenciar leptospirose de dengue ou malária?

Embora compartilhem sintomas como febre e mialgia, a leptospirose se destaca pela mialgia mais intensa (especialmente em panturrilhas), hiperemia conjuntival e, frequentemente, histórico de exposição a ambientes contaminados. Dengue pode ter rash e dor retro-orbital, enquanto malária tem febre intermitente e calafrios intensos.

Qual a importância da história ocupacional na suspeita de leptospirose?

A história ocupacional, como trabalhar em construção civil ou em contato com esgoto/água contaminada, é crucial, pois a leptospirose é transmitida pelo contato com urina de animais infectados, principalmente roedores, presente em ambientes de trabalho e moradia precários.

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