TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2022
Analise as afirmativas a seguir sobre Leptospirose: I - O período de incubação costuma ser de 2 a 26 dias, mas a maioria dos pacientes torna-se sintomático com 10 dias. II - A doença é bifásica, sendo que a primeira fase da leptospirose é chamada de fase "imune" e a segunda é "bacterêmica". III - Síndrome de Weil é caracterizada por icterícia e insuficiência renal tipicamente hipocalêmica e não-oligúrica. IV - Testes sorológicos devem ser solicitados com 5 a 7 dias de doença. V - Pacientes com síndrome do desconforto respiratório agudo e hemorragia alveolar necessitam de assistência ventilatória mecânica, expansão volêmica vigorosa e antibioticoterapia por 7 dias. Assinale a alternativa que traz a sequência correta de afirmações Falsas (F) e Verdadeiras (V) sobre Leptospirose:
Leptospirose: Fase 1 (Bacterêmica) → Fase 2 (Imune). Síndrome de Weil = Icterícia + IRA Hipocalêmica.
A leptospirose é uma doença bifásica onde a fase bacterêmica precede a imune. A forma grave (Weil) cursa com a tríade clássica de icterícia rubínica, insuficiência renal aguda tipicamente hipocalêmica e diátese hemorrágica.
A leptospirose é uma zoonose de importância global, causada por espiroquetas do gênero Leptospira. A fisiopatologia envolve uma vasculite infecciosa sistêmica. O diagnóstico padrão-ouro é o teste de aglutinação microscópica (MAT), mas na prática clínica, a sorologia ELISA IgM é utilizada a partir do 5º-7º dia de sintomas. Na Síndrome de Weil, a icterícia é tipicamente 'rubínica' (alaranjada) devido à combinação de colestase e hiperemia conjuntival. O tratamento precoce com antibióticos (Doxiciclina em casos leves; Penicilina ou Ceftriaxona em graves) é fundamental para reduzir a carga bacteriana e prevenir complicações sistêmicas.
A fase bacterêmica (leptospirêmica) dura de 3 a 7 dias, caracterizada por febre alta, cefaleia e mialgia intensa (principalmente em panturrilhas). A fase imune ocorre após um curto período assintomático, marcada pelo surgimento de anticorpos IgM e manifestações como meningite asséptica e uveíte. Na forma grave (Síndrome de Weil), as fases podem se sobrepor, apresentando icterícia, disfunção renal e hemorragias.
Diferente da maioria das causas de insuficiência renal aguda (IRA), a leptospirose causa uma nefropatia tubulointersticial específica. A toxina da Leptospira inibe o transportador Na-K-2Cl (NKCC2) na alça de Henle e aumenta a expressão de canais de potássio no túbulo distal, resultando em poliúria e hipocalemia, mesmo com queda na taxa de filtração glomerular.
A hemorragia alveolar é a principal causa de morte. O manejo exige assistência ventilatória precoce (frequentemente com estratégia de proteção pulmonar), antibioticoterapia venosa (Ceftriaxona ou Penicilina G Cristalina) e monitorização hemodinâmica rigorosa. Diferente de outras causas de choque, a reposição volêmica deve ser extremamente cautelosa para não exacerbar o edema pulmonar e a hemorragia.
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