Leptospirose: IRA, Rabdomiólise e Distúrbios Eletrolíticos

UFRN/EMCM - Escola Multicampi de Ciências Médicas (RN) — Prova 2020

Enunciado

Um adolescente é levado ao Pronto Atendimento por amigos apresentando desidratação, oligúria e dispneia. Os amigos relataram que o paciente havia ido a uma festa em comemoração à formatura de estudantes de medicina na noite anterior. Frequência cardíaca 112 bpm e pressão arterial 150/100 mmHg. Os exames eram: creatinina sérica: 7,8 mg/dl; uréia sérica: 210 mg/dl; fósforo sérico: 9,9 mg/dl; potássio sérico: 2,5 mg/dl; CPK: 110.00 UI/L. A doença mais provável para justificar o quadro clínico desse paciente é:

Alternativas

  1. A) Insuficiência renal aguda por provável leptospirose.
  2. B) Insuficiência renal aguda por rabdomiólise.
  3. C) Glomerulonefrite rapidamente progressiva.
  4. D) Nefrite tubulointersticial aguda.

Pérola Clínica

Adolescente com IRA, rabdomiólise (CPK ↑↑) e hipocalemia pós-festa → considerar Leptospirose.

Resumo-Chave

A leptospirose é uma doença infecciosa que pode causar um quadro grave de insuficiência renal aguda, rabdomiólise (evidenciada pela CPK muito elevada) e, em alguns casos, distúrbios eletrolíticos como hipocalemia. O contexto de uma festa pode indicar exposição a ambientes contaminados, e a tríade de IRA, rabdomiólise e hipocalemia, embora atípica para rabdomiólise pura, pode ser vista em leptospirose grave.

Contexto Educacional

A leptospirose é uma zoonose bacteriana de distribuição mundial, causada por espiroquetas do gênero Leptospira. A transmissão ocorre pelo contato com água ou solo contaminados pela urina de animais infectados. A doença apresenta um espectro clínico variado, desde formas assintomáticas até a síndrome de Weil, caracterizada por icterícia, insuficiência renal aguda e hemorragias. A insuficiência renal aguda (IRA) é uma complicação grave e frequente da leptospirose, resultante de nefrite tubulointersticial e, em muitos casos, rabdomiólise. A rabdomiólise, evidenciada por níveis elevados de CPK, contribui para a IRA devido à liberação de mioglobina, que é nefrotóxica. Distúrbios eletrolíticos, como hipocalemia, podem ocorrer devido a disfunção tubular renal, embora a hipercalemia seja mais comum na rabdomiólise pura. O diagnóstico da leptospirose é clínico-epidemiológico e laboratorial, com exames sorológicos e PCR. O tratamento é baseado em antibioticoterapia (penicilina ou doxiciclina) e medidas de suporte, incluindo diálise para a IRA. A suspeita precoce e o tratamento adequado são cruciais para reduzir a mortalidade e as complicações da doença.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações renais da leptospirose?

A leptospirose pode causar insuficiência renal aguda, que varia de leve a grave, com oligúria ou anúria, e pode estar associada a nefrite tubulointersticial e rabdomiólise.

Como a leptospirose pode causar rabdomiólise?

A rabdomiólise na leptospirose é causada por dano direto da toxina leptospírica às células musculares ou por isquemia muscular secundária à vasculite e disfunção endotelial.

A hipocalemia é um achado comum na rabdomiólise ou leptospirose?

A rabdomiólise clássica geralmente cursa com hipercalemia devido à liberação de potássio das células musculares danificadas. No entanto, na leptospirose, a hipocalemia pode ocorrer devido a disfunção tubular renal, embora seja menos comum.

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