CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Nos defeitos congênitos do cristalino, podemos observar:
Lenticone posterior é mais comum que o anterior e geralmente é esporádico e unilateral.
Defeitos congênitos do cristalino incluem variações de forma (lenticone), transparência e posição, sendo o lenticone posterior a ectasia lenticular mais frequente.
As anomalias congênitas do cristalino resultam de insultos durante a embriogênese (entre a 4ª e 7ª semana). O lenticone posterior decorre de uma fraqueza localizada na cápsula posterior. O coloboma do cristalino, por sua vez, não é um coloboma verdadeiro (falha de fechamento da fenda embrionária), mas sim uma indentação da margem lenticular devido à ausência ou fragilidade das zônulas em um determinado setor, podendo ocorrer de forma isolada ou associada a colobomas de íris e coróide. O manejo dessas condições exige vigilância rigorosa contra a ambliopia. No lenticone posterior, a progressão para catarata é comum, exigindo lensectomia. Na galactosemia, a instituição precoce de uma dieta livre de galactose pode reverter as alterações iniciais do cristalino (sinal da gota de óleo), prevenindo a formação de catarata densa irreversível.
O lenticone posterior é uma protrusão cônica ou esférica da porção posterior do cristalino para o vítreo. É a anomalia de forma mais comum do cristalino, geralmente unilateral e esporádica, embora possa estar associada a opacidades polares posteriores. Diferencia-se do lenticone anterior, que é frequentemente bilateral e fortemente associado à Síndrome de Alport (nefrite hereditária e surdez neurossensorial). O diagnóstico é feito pela biomicroscopia, onde se observa o reflexo em 'gota de óleo' na retroiluminação e a curvatura anormal da face posterior do cristalino.
A Anomalia de Peters faz parte do espectro das disgenesias do segmento anterior. Caracteriza-se por um defeito central no endotélio corneano e na membrana de Descemet, resultando em leucoma central. No tipo II da anomalia de Peters, há frequentemente aderências do cristalino à córnea ou o próprio cristalino pode estar deslocado para a câmara anterior, o que contradiz a ideia de ausência de lesão corneana. É uma condição grave que frequentemente leva ao glaucoma secundário e ambliopia profunda devido à opacidade de meios.
O sinal da 'gota de óleo' é uma aparência refrativa característica observada na retroiluminação do cristalino em pacientes com galactosemia. Ocorre devido ao acúmulo de dulcitol (galactitol) dentro das fibras lenticulares, o que gera um gradiente osmótico, entrada de água e alteração do índice de refração central. Não deve ser confundido com o ponto de Mittendorf, que é um pequeno remanescente esbranquiçado da artéria hialoide na cápsula posterior do cristalino, geralmente inferonasal ao polo posterior, sem repercussão visual significativa.
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