CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2021
Um paciente de 55 anos com refração de -2,00 DE -1,00 DE 180Ë em ambos os olhos e adição de +2,50 DE vem ao consultório se queixando de seu novo multifocal. Refere que precisa abaixar os óculos para conseguir enxergar bem de longe. Você coloca a refração na armação de prova e obtém boa acuidade visual tanto para longe quanto para perto. Qual a principal hipótese para a insatisfação?
Paciente abaixa óculos para ver longe → Cruz de montagem está alta (invasão da zona intermediária).
Se a cruz de montagem de uma lente multifocal estiver posicionada acima do centro pupilar, o paciente olhará através do corredor de progressão ao tentar ver longe, exigindo que ele abaixe os óculos para encontrar a zona de visão de longe.
As lentes progressivas (multifocais) possuem uma geometria complexa onde o grau varia continuamente ao longo de um corredor vertical. A precisão na montagem é milimétrica: a cruz de montagem deve coincidir exatamente com o centro pupilar do paciente em posição primária do olhar. Erros na medição da altura ou na montagem final são as causas mais comuns de insatisfação, superando até mesmo erros na prescrição do grau. O diagnóstico diferencial das queixas do paciente (ex: 'tenho que levantar a cabeça', 'tenho que abaixar os óculos') direciona o oftalmologista para o ajuste óptico correto.
Quando a cruz de montagem (o ponto de referência para a visão de longe) é colocada acima do centro da pupila do paciente, ele passa a olhar através do início do corredor de progressão mesmo quando olha para o horizonte. Como o corredor já possui adição de grau para perto, a visão de longe fica embaçada. Para compensar e encontrar a zona de visão de longe 'pura', o paciente tende a abaixar os óculos no nariz ou inclinar a cabeça para trás.
Um corredor curto é uma característica do desenho da lente, escolhido para armações pequenas, onde a transição longe-perto ocorre em uma distância menor. Isso geralmente causa queixas na visão intermediária ou sensação de 'pulo' de grau. Já o erro de altura de montagem é um erro técnico: se estiver alta, prejudica o longe; se estiver baixa, o paciente precisa levantar muito o queixo ou os óculos para conseguir ler (visão de perto prejudicada).
Se a armação permitir, pode-se tentar ajustar as plaquetas para descer ou subir a armação no rosto do paciente. No entanto, se o deslocamento for significativo, a única solução definitiva é a substituição das lentes, realizando uma nova medida da altura pupilar e garantindo que a montagem na surfaçagem/montagem respeite o centro óptico e a cruz de referência para o olhar em posição primária.
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