Lentes Intraoculares Tóricas: Precisão e Ciclotorção

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2012

Enunciado

Assinale a alternativa correta em relação às lentes intraoculares tóricas:

Alternativas

  1. A) São indicadas para correção do astigmatismo gerado pelo cristalino
  2. B) A ciclotorção em decúbito dorsal deve ser levada em consideração no pré-operatório
  3. C) A rotação da lente intraocular tem pouca influência no seu poder corretivo
  4. D) São de difícil implantação e apresentam pouca previsibilidade

Pérola Clínica

A ciclotorção postural (sentado → deitado) pode desalinhar LIOs tóricas; a marcação pré-op deve ser feita com o paciente sentado.

Resumo-Chave

O sucesso das LIOs tóricas depende do alinhamento preciso no eixo do astigmatismo corneano, devendo-se compensar a rotação ocular que ocorre em decúbito dorsal.

Contexto Educacional

As LIOs tóricas revolucionaram a cirurgia de catarata ao permitir a independência de óculos para pacientes com astigmatismo. No entanto, a previsibilidade dos resultados depende de um planejamento pré-operatório rigoroso e da compreensão da biomecânica ocular. Para o residente, é essencial dominar as técnicas de marcação de eixo e entender que a posição do paciente na mesa cirúrgica difere da posição nos aparelhos de biometria e topografia. A compensação da ciclotorção é o passo que diferencia um resultado cirúrgico satisfatório de uma falha refracional frustrante para o paciente.

Perguntas Frequentes

O que é ciclotorção e como ela afeta a cirurgia?

Ciclotorção é o movimento de rotação do globo ocular em torno do seu eixo anteroposterior que ocorre quando o paciente muda da posição vertical (sentado) para a horizontal (decúbito dorsal). Esse movimento pode chegar a 10-15 graus em alguns indivíduos. Como o planejamento do eixo da lente tórica é feito com base em exames realizados com o paciente sentado, se o cirurgião não realizar uma marcação prévia dos eixos de referência (0° e 180°) com o paciente ainda sentado, o alinhamento da lente durante a cirurgia (com o paciente deitado) será impreciso, resultando em astigmatismo residual significativo.

As LIOs tóricas corrigem astigmatismo do cristalino?

Não. As lentes intraoculares tóricas são projetadas para corrigir o astigmatismo corneano preexistente. O astigmatismo do cristalino (lenticular) é removido durante a facoemulsificação junto com a catarata. Portanto, o cálculo da LIO tórica baseia-se exclusivamente na ceratometria (astigmatismo da córnea). Tentar corrigir um astigmatismo total que inclua o componente lenticular com uma LIO tórica resultaria em um erro refracional pós-operatório, pois a fonte do astigmatismo interno foi eliminada pela cirurgia.

Qual a consequência da rotação da LIO tórica no pós-operatório?

A precisão do alinhamento é crítica. Se uma LIO tórica rodar apenas 10 graus em relação ao eixo planejado, ela perde cerca de 33% do seu poder de correção do astigmatismo. Se a rotação atingir 30 graus, a lente não corrige mais o astigmatismo original e, pior, pode induzir um novo astigmatismo em um eixo diferente. Por isso, a estabilidade rotacional da lente dentro do saco capsular e a técnica cirúrgica meticulosa (limpeza do viscoelástico atrás da lente) são fundamentais para o sucesso refracional.

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