CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2025
Correlacione o tipo de lente de contato mais associado a cada uma das complicações abaixo:
Lentes gelatinosas (soft) → ↑ Risco de Conjuntivite Papilar Gigante e Ceratite Infecciosa por depósitos e hipóxia.
As lentes gelatinosas, devido ao maior diâmetro e acúmulo de proteínas, predispõem mais a reações imunológicas e infecções do que as lentes rígidas gás-permeáveis.
O uso de lentes de contato é uma prática comum, mas exige vigilância médica constante. As complicações podem ser divididas em mecânicas, hipóxicas, tóxicas e alérgicas. As lentes gelatinosas (tipo 2 na correlação típica) são as principais responsáveis por quadros de hipóxia crônica, levando à neovascularização corneana e edema estromal, além de reações alérgicas como a CPG. A ceratite infecciosa é a complicação mais temida, podendo levar à perda visual permanente por leucoma ou perfuração ocular. O diagnóstico diferencial entre infiltrados estéreis (imunológicos) e infecciosos é fundamental. O manejo adequado envolve a educação do paciente sobre o descarte correto, a proibição de dormir com as lentes e a desinfecção apropriada, preferencialmente com sistemas de peróxido de hidrogênio ou soluções multiuso de alta qualidade.
A CPG é uma reação inflamatória da conjuntiva tarsal superior, caracterizada pela formação de grandes papilas (>1mm). É fortemente associada ao uso de lentes de contato, especialmente as gelatinosas. A fisiopatologia envolve tanto um trauma mecânico repetitivo da borda da lente contra a conjuntiva quanto uma reação de hipersensibilidade tipo IV aos depósitos de proteínas desnaturadas na superfície da lente. Os sintomas incluem prurido, intolerância à lente, excesso de muco e visão borrada. O tratamento exige a interrupção do uso, higiene rigorosa e, por vezes, o uso de estabilizadores de mastócitos ou corticoides tópicos.
As lentes gelatinosas possuem um diâmetro maior, cobrindo todo o limbo, o que reduz a troca lacrimal sob a lente em comparação com as lentes rígidas. Além disso, o material hidrofílico facilita a adesão de microrganismos, como Pseudomonas aeruginosa e Acanthamoeba. O uso prolongado (dormir com as lentes) agrava a hipóxia corneana, quebrando a barreira epitelial e facilitando a invasão bacteriana. A manutenção inadequada do estojo e o uso de água da torneira são fatores de risco críticos que devem ser monitorados pelo oftalmologista durante o acompanhamento do paciente.
As lentes RGP oferecem uma qualidade óptica superior, especialmente para pacientes com astigmatismo irregular ou ceratocone. Do ponto de vista fisiológico, seu menor diâmetro permite uma maior circulação de lágrimas a cada piscada, garantindo melhor oxigenação da córnea. Elas também acumulam menos depósitos proteicos e lipídicos, o que reduz drasticamente a incidência de conjuntivite papilar gigante e infecções graves. A principal desvantagem é o desconforto inicial e o tempo de adaptação mais longo, o que leva muitos pacientes a preferirem as gelatinosas apesar dos riscos maiores.
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