CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2017
Com relação às lentes de contato esclerais, é correto afirmar:
Adaptação de lente escleral depende do valor sagital (elevação) e não apenas da topografia central.
Diferente das lentes RGP corneais, as esclerais saltam (vault) a córnea. A seleção baseia-se na profundidade sagital para evitar toque apical e garantir o preenchimento pelo reservatório lacrimal.
As lentes esclerais revolucionaram o tratamento de ectasias e doenças da superfície ocular. Elas são lentes de grande diâmetro (geralmente 14mm a 20mm) que criam um reservatório de fluido sobre a córnea. A questão aborda o conceito técnico de que a seleção da lente de prova não se baseia na ceratometria central, mas sim na profundidade sagital (distância do ápice da córnea até o plano da esclera). Clinicamente, é vital entender que o material dessas lentes deve possuir alto DK (permeabilidade ao oxigênio) para compensar a espessura da lente e do reservatório lacrimal, evitando hipóxia corneana. A alternativa C está correta pois a elevação e o valor sagital são os determinantes para evitar o toque central, que deve ser inexistente (diferente do que sugere a alternativa B).
Diferente das lentes de contato corneais, que se apoiam diretamente na superfície da córnea e cujos parâmetros dependem da curvatura central (K), as lentes esclerais são desenhadas para 'saltar' (vault) toda a córnea e o limbo, apoiando-se exclusivamente na esclera. Portanto, o parâmetro fundamental para o sucesso da adaptação é a altura sagital total da córnea e do segmento anterior. Se a lente for muito rasa (baixa sagita), haverá toque central indesejado; se for muito profunda, o reservatório lacrimal será excessivo, prejudicando a oxigenação e a visão. A topografia fornece a curvatura, mas não a elevação total necessária para definir o vault ideal.
As lentes esclerais são indicadas principalmente para casos de irregularidades corneanas graves onde as lentes RGP corneais falham em estabilidade ou conforto, como no ceratocone avançado, degeneração marginal pelúcida e ectasias pós-cirúrgicas. Além disso, são excelentes para o manejo de doenças graves da superfície ocular, como a Síndrome de Sjögren e a Síndrome de Stevens-Johnson, pois o reservatório de soro fisiológico entre a lente e a córnea mantém a superfície constantemente hidratada, promovendo a cicatrização epitelial e aliviando a dor severa causada pelo ressecamento.
O 'vault' ou clareamento central ideal em uma adaptação de lente escleral deve ser suficiente para evitar qualquer toque na córnea ao longo do dia, considerando que a lente tende a 'assentar' na conjuntiva após algumas horas de uso. Geralmente, busca-se um espaço preenchido por fluido de aproximadamente 200 a 300 micra logo após a inserção, prevendo que esse valor diminuirá cerca de 100 micra após o assentamento. O monitoramento é feito via lâmpada de fenda com corte óptico, comparando a espessura do reservatório lacrimal fluoresceínado com a espessura da própria lente ou da córnea do paciente.
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