CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018
Com relação à adaptação das atuais lentes de contato esclerais, e semiesclerais em pacientes com ceratocone, é correto afirmar:
Lentes esclerais → O livramento apical (vault) ideal deve ser de ~100-300 µm para evitar toque e hipóxia.
As lentes esclerais não tocam a córnea; elas se apoiam na esclera e criam um reservatório líquido que regulariza a superfície óptica no ceratocone.
As lentes esclerais revolucionaram o manejo do ceratocone avançado e de irregularidades corneanas graves. Diferente das lentes corneanas, seu apoio ocorre exclusivamente na esclera conjuntival, que é muito menos sensível que a córnea, proporcionando um conforto superior. A adaptação exige precisão na avaliação do 'clearance' central, limbar e do assentamento escleral. O diâmetro dessas lentes geralmente varia de 14mm (semiesclerais) a mais de 20mm (esclerais completas). O principal desafio clínico é o manejo do 'settling' (rebaixamento da lente após algumas horas de uso) e a prevenção do edema de córnea em pacientes com contagem de células endoteliais limítrofe.
O livramento apical, ou 'vault', é o espaço preenchido por fluido entre a face posterior da lente de contato escleral e a superfície anterior da córnea. Em pacientes com ceratocone, esse espaço é crucial porque permite que a lente 'salte' sobre as irregularidades corneanas sem causar trauma mecânico ao ápice do cone. Um vault de aproximadamente 100 a 300 micrômetros (após o assentamento da lente) é considerado ideal. Se for muito baixo, há risco de toque corneano e erosões; se for muito alto, pode haver redução da oxigenação corneana e dificuldade na remoção de detritos.
O polimetilmetacrilato (PMMA) é um material impermeável ao oxigênio. Como as lentes esclerais cobrem uma área muito grande da superfície ocular e possuem uma camada espessa de fluido entre a lente e a córnea, o uso de PMMA levaria inevitavelmente a um edema de córnea grave por hipóxia em pouco tempo de uso. As lentes esclerais contemporâneas são fabricadas com materiais rígidos gás-permeáveis (RGP) de alto Dk (permeabilidade ao oxigênio), permitindo que a córnea respire adequadamente através do material da lente e do reservatório líquido.
O espaço entre a lente e a córnea deve ser preenchido obrigatoriamente com solução salina (cloreto de sódio 0,9%) estéril e, fundamentalmente, sem conservantes. O uso de soluções com conservantes ou soluções hipotônicas é contraindicado, pois o líquido fica em contato prolongado e estagnado com o epitélio corneano, o que pode causar toxicidade epitelial severa, ceratite ponteada e edema corneano. A isotonicidade é necessária para manter a homeostase do epitélio durante as horas de uso da lente.
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