Adaptação de Lentes Esclerais no Ceratocone: Parâmetros

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2018

Enunciado

Com relação à adaptação das atuais lentes de contato esclerais, e semiesclerais em pacientes com ceratocone, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A solução utilizada para preencher o espaço entre a lente e a córnea deve ser hipotônica, a fim de se reduzir o risco de edema de córnea durante o período de uso.
  2. B) O livramento apical (espaço entre a face posterior da lente e anterior da córnea) deve ter cerca de 100 micrômetros.
  3. C) O diâmetro das lentes semiesclerais varia entre 10 e 12 mm e das lentes esclerais, de modo geral, a partir de 16 mm.
  4. D) Seus apoios não ocorrem na córnea, mas sim na região da esclera perilímbica e o material mais utilizado para suas confecções é o polimetilmetaacrilato (PMMA).

Pérola Clínica

Lentes esclerais → O livramento apical (vault) ideal deve ser de ~100-300 µm para evitar toque e hipóxia.

Resumo-Chave

As lentes esclerais não tocam a córnea; elas se apoiam na esclera e criam um reservatório líquido que regulariza a superfície óptica no ceratocone.

Contexto Educacional

As lentes esclerais revolucionaram o manejo do ceratocone avançado e de irregularidades corneanas graves. Diferente das lentes corneanas, seu apoio ocorre exclusivamente na esclera conjuntival, que é muito menos sensível que a córnea, proporcionando um conforto superior. A adaptação exige precisão na avaliação do 'clearance' central, limbar e do assentamento escleral. O diâmetro dessas lentes geralmente varia de 14mm (semiesclerais) a mais de 20mm (esclerais completas). O principal desafio clínico é o manejo do 'settling' (rebaixamento da lente após algumas horas de uso) e a prevenção do edema de córnea em pacientes com contagem de células endoteliais limítrofe.

Perguntas Frequentes

O que é o livramento apical (vault) e qual sua importância?

O livramento apical, ou 'vault', é o espaço preenchido por fluido entre a face posterior da lente de contato escleral e a superfície anterior da córnea. Em pacientes com ceratocone, esse espaço é crucial porque permite que a lente 'salte' sobre as irregularidades corneanas sem causar trauma mecânico ao ápice do cone. Um vault de aproximadamente 100 a 300 micrômetros (após o assentamento da lente) é considerado ideal. Se for muito baixo, há risco de toque corneano e erosões; se for muito alto, pode haver redução da oxigenação corneana e dificuldade na remoção de detritos.

Por que não se utiliza PMMA em lentes esclerais modernas?

O polimetilmetacrilato (PMMA) é um material impermeável ao oxigênio. Como as lentes esclerais cobrem uma área muito grande da superfície ocular e possuem uma camada espessa de fluido entre a lente e a córnea, o uso de PMMA levaria inevitavelmente a um edema de córnea grave por hipóxia em pouco tempo de uso. As lentes esclerais contemporâneas são fabricadas com materiais rígidos gás-permeáveis (RGP) de alto Dk (permeabilidade ao oxigênio), permitindo que a córnea respire adequadamente através do material da lente e do reservatório líquido.

Qual solução deve ser usada para preencher a lente escleral?

O espaço entre a lente e a córnea deve ser preenchido obrigatoriamente com solução salina (cloreto de sódio 0,9%) estéril e, fundamentalmente, sem conservantes. O uso de soluções com conservantes ou soluções hipotônicas é contraindicado, pois o líquido fica em contato prolongado e estagnado com o epitélio corneano, o que pode causar toxicidade epitelial severa, ceratite ponteada e edema corneano. A isotonicidade é necessária para manter a homeostase do epitélio durante as horas de uso da lente.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo