CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Qual dos pacientes com catarata apresenta a melhor indicação para o implante de uma lente intraocular tórica?
LIO Tórica = Astigmatismo corneano regular e estável. Evite em córneas irregulares ou instáveis.
A indicação ideal para LIO tórica é o astigmatismo corneano regular e significativo. Córneas irregulares (pós-RK ou ceratocone) reduzem a previsibilidade dos resultados refrativos.
O implante de Lentes Intraoculares (LIO) tóricas revolucionou a cirurgia de catarata moderna, transformando-a em um procedimento refrativo. A seleção do paciente é o passo mais crítico: a regularidade corneana garante que a correção cilíndrica da lente neutralize efetivamente o erro óptico da córnea. No caso da alternativa B, o astigmatismo de 2,50DC com topografia regular representa o cenário de maior benefício e previsibilidade. Pacientes com astigmatismo muito baixo (0,50DC) podem não ter ganho clínico significativo que justifique o custo, enquanto astigmatismos em córneas irregulares ou pós-RK (alternativa A) apresentam riscos de descentração e insatisfação visual. A estabilidade do filme lacrimal também deve ser avaliada, pois ceratometrias errôneas devido ao olho seco podem levar a erros grosseiros no cálculo da lente.
O candidato ideal apresenta astigmatismo corneano regular (comprovado por topografia ou tomografia corneana), onde os meridianos principais são perpendiculares entre si. Além disso, a córnea deve ser estável (sem doenças ectásicas progressivas) e o paciente deve desejar independência de óculos para longe. Astigmatismos acima de 0,75D a 1,00D já podem se beneficiar da tecnologia tórica.
Em córneas irregulares, como no ceratocone ou após cirurgias incisionais (ceratotomia radial - RK), o astigmatismo não é uniforme em toda a zona pupilar. As LIOs tóricas corrigem apenas o astigmatismo regular (cilindro de segunda ordem). Em córneas irregulares, as aberrações de alta ordem predominam, e o alinhamento da lente pode não coincidir com o eixo visual, resultando em qualidade de visão insatisfatória e baixa previsibilidade.
O planejamento exige biometria precisa, ceratometria (preferencialmente de múltiplos aparelhos) e análise da face posterior da córnea. Utilizam-se calculadoras online específicas (como a de Barrett) que consideram a posição efetiva da lente e o astigmatismo induzido pela incisão cirúrgica. Durante a cirurgia, a marcação precisa do eixo no limbo é fundamental para o alinhamento correto da lente.
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