CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2007
Quanto à lente de contato terapêutica:
LC terapêutica ideal → Baixo grau (plana), fina, diâmetro grande e boa centralização.
As lentes de contato terapêuticas funcionam como um curativo biológico, promovendo a reepitelização, aliviando a dor e protegendo a superfície corneana em diversas patologias.
As lentes de contato terapêuticas revolucionaram o manejo de doenças da superfície ocular externa. Ao contrário das lentes de grau, o foco aqui é a saúde tecidual. A escolha do material é crítica: as lentes de silicone hidrogel são preferidas por permitirem que o oxigênio chegue à córnea mesmo com os olhos fechados (uso estendido). O manejo clínico exige vigilância estrita. O médico deve monitorar sinais de infecção em cada consulta e avaliar a integridade da lente. A troca não deve ser diária para não interromper a cicatrização epitelial, mas a lente não deve permanecer por meses sem avaliação. Em casos de perfurações pequenas ou descemetoceles, a LCT pode ser usada temporariamente para selar a câmara anterior até que um tratamento definitivo seja realizado.
As lentes de contato terapêuticas (LCT) são indicadas para quatro objetivos principais: proteção, alívio da dor, promoção da cicatrização e manutenção da hidratação. São usadas em casos de erosões recorrentes da córnea, ceratopatia bolhosa (para reduzir a dor das bolhas que estouram), defeitos epiteliais persistentes, queimaduras químicas e após cirurgias como PRK (ceratectomia fotorrefrativa) ou transplantes de córnea. Elas atuam como uma barreira física contra o trauma mecânico das pálpebras durante o piscar, permitindo que as células epiteliais se ancorem adequadamente à membrana de Bowman.
Uma lente terapêutica ideal deve ter alta permeabilidade ao oxigênio (Dk/t elevado), geralmente sendo feitas de silicone hidrogel, para evitar a hipóxia corneana durante o uso prolongado. Elas devem ser finas para não causar desconforto, ter um diâmetro maior que as lentes estéticas (para cobrir bem o limbo e garantir estabilidade) e possuir baixo ou nenhum poder dióptrico (planas), a menos que a correção visual também seja necessária. A boa centralização e um movimento mínimo (0,5mm) são essenciais para garantir a proteção sem causar fricção excessiva no epitélio em regeneração.
O risco mais grave associado ao uso de LCT é a ceratite infecciosa (úlcera de córnea bacteriana). Como a lente permanece no olho por períodos prolongados e a superfície ocular já está comprometida, o risco de colonização por patógenos como Pseudomonas aeruginosa aumenta. Por isso, o uso de antibióticos profiláticos tópicos é frequentemente prescrito enquanto o paciente estiver com a lente. Outras complicações incluem neovascularização corneana por hipóxia crônica, edema corneano e reação papilar gigante na conjuntiva tarsal superior.
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