Cálculo da Lente Lacrimal em Lentes de Contato Rígidas

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2011

Enunciado

Um paciente apresenta refração de -3,00 D -2,50 cil x 180º. Sua ceratometria é de 45,00/47,50. Foi adaptada lente de contato com curva base de 46,00. Qual o valor da lente lacrimal?

Alternativas

  1. A) -1,00 D
  2. B) +1,50 D
  3. C) +1,00 D
  4. D) -1,50 D

Pérola Clínica

Lente lacrimal = Curva Base (CB) - Ceratometria mais plana (K1).

Resumo-Chave

A lente lacrimal é formada entre a face posterior da lente de contato e a face anterior da córnea. Se a lente é mais curva que a córnea, a lente lacrimal é positiva.

Contexto Educacional

Na contatologia, o entendimento da óptica do menisco lacrimal é essencial para a adaptação de lentes rígidas gás-permeáveis (RGP). Quando uma lente RGP esférica é colocada sobre uma córnea astigmata, a lágrima preenche as irregularidades, neutralizando o astigmatismo da face anterior da córnea. O cálculo preciso da lente lacrimal permite ao examinador ajustar o poder da lente (grau do fabricante) para que a combinação 'Lente + Filme Lacrimal' resulte na correção exata da ametropia do paciente. Neste exemplo, a lente lacrimal de +1,00 D precisaria ser compensada com -1,00 D no grau da lente final.

Perguntas Frequentes

Como é feito o cálculo da lente lacrimal?

O valor dióptrico da lente lacrimal (LL) é determinado pela diferença entre o poder da curva base (CB) da lente de contato e o poder do meridiano mais plano da córnea (K1). A fórmula é: LL = CB - K1. Se a curva base da lente for mais 'apertada' (maior valor em dioptrias) que a córnea, a lente lacrimal terá poder positivo (menisco convergente). Se for mais 'plana' (menor valor em dioptrias), terá poder negativo (menisco divergente). No caso da questão: 46,00 (CB) - 45,00 (K1) = +1,00 D.

Por que usamos o K mais plano para o cálculo da lente lacrimal?

Em lentes de contato rígidas esféricas, a lente tende a se apoiar ou alinhar-se primariamente com o meridiano mais plano da córnea. O espaço preenchido pela lágrima entre a lente e a córnea compensa o astigmatismo corneano. Para fins de cálculo do poder final da lente (SAM-FAP: Steeper Add Minus, Flatter Add Plus), a referência de base para a formação do menisco líquido é a relação com o K mais plano, que define a profundidade da sagita central.

O que significa a regra SAM-FAP na adaptação de lentes rígidas?

SAM-FAP é um mnemônico em inglês: 'Steeper Add Minus, Flatter Add Plus'. Ele orienta o ajuste do grau da lente de contato quando alteramos a curva base. Se adaptarmos uma lente mais curva (Steeper) que o K do paciente, criamos uma lente lacrimal positiva; para compensar, devemos adicionar grau negativo (Minus) à lente. Se adaptarmos uma lente mais plana (Flatter), criamos uma lente lacrimal negativa e devemos adicionar grau positivo (Plus) à lente para manter o poder refracional final desejado.

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