Leishmaniose Visceral Infantil: Diagnóstico e Sinais Chave

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2021

Enunciado

Pré-escolar, 4 anos de idade, sexo feminino, natural e procedente de Várzea Grande-MT, residente na área rural, deu entrada na UPA com quadro de febre de 39°C, intermitente e irregular com 2 ou 3 picos por dia há 3 semanas, astenia, perda de peso. Ao exame: Sinais Vitais: Fr: 28 irpm, Fc: 130 bpm, Tax: 39,3ºC. REG, prostrada, palidez cutaneomucosa, hidratada. A ausculta cardíaca e pulmonar eram normais. Abdome globoso, ruídos hidroaéreos positivos, à palpação, fígado a 3 cm RCD e baço a 5 cm do RCE, sem sinal de irritação peritoneal. Linfonodos não palpáveis. Demais sem alteração.Hemograma: Hemácias: 3,6 milhões, Hb: 9,0 g/dL, Ht: 27%; Leucócitos: 3.900 mm³; Plaquetas 60.000 mm³; Ureia: 17 mg/dL; Creatinina: 0,6 mg/dL; VHS: 55mm; Bilirrubina total: 0,3 mg/dL; Bilirrubina indireta: 0,2 mg/dL; Bilirrubina direta: 0,1 mg/dL; Amilase: 153 mg/dL; AST:27 U/mL; ALT: 15 U/mL; Proteínas totais: 5,15; Albumina: 3,0 mg/dL; Globulina: 2,15mg/dL.Qual é a principal hipótese diagnóstica?

Alternativas

  1. A) Leishmaniose visceral
  2. B) Linfoma de Hodgkin
  3. C) Malária por P. falciparum
  4. D) Esquistossomose

Pérola Clínica

Criança de área endêmica com febre prolongada, astenia, perda peso, hepatoesplenomegalia e pancitopenia → Leishmaniose Visceral até prova em contrário.

Resumo-Chave

A Leishmaniose Visceral (Kala-azar) é uma doença parasitária endêmica em algumas regiões do Brasil, incluindo Mato Grosso. Em crianças, manifesta-se classicamente com febre prolongada e irregular, astenia, perda de peso, hepatoesplenomegalia proeminente e pancitopenia, sendo a principal hipótese diagnóstica neste cenário.

Contexto Educacional

A Leishmaniose Visceral (LV), ou Kala-azar, é uma doença parasitária grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos. No Brasil, é endêmica em diversas regiões, com destaque para o Centro-Oeste, e afeta predominantemente crianças. A importância clínica reside na sua alta letalidade se não tratada. A fisiopatologia envolve a proliferação dos parasitas em macrófagos do sistema reticuloendotelial, levando à hepatoesplenomegalia maciça, linfadenopatia e depressão medular, resultando em pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia). O diagnóstico deve ser fortemente suspeitado em crianças de áreas endêmicas que apresentam febre prolongada e irregular, astenia, perda de peso e o clássico tripé de hepatoesplenomegalia e pancitopenia. Exames complementares como VHS elevado e hipergamaglobulinemia são comuns. O tratamento é feito com medicamentos específicos como antimoniais pentavalentes ou anfotericina B. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações graves e óbito. O diagnóstico diferencial inclui outras causas de febre prolongada e hepatoesplenomegalia, como malária, brucelose, tuberculose, linfomas e leucemias, mas a combinação dos achados clínicos e epidemiológicos aponta fortemente para LV.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da leishmaniose visceral em crianças?

Os principais sinais e sintomas da leishmaniose visceral em crianças incluem febre prolongada e irregular, astenia, perda de peso, hepatoesplenomegalia proeminente e pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia).

Qual a importância da epidemiologia no diagnóstico da leishmaniose visceral?

A epidemiologia é crucial no diagnóstico, pois a leishmaniose visceral é endêmica em certas regiões. A procedência de uma área rural ou endêmica, como Várzea Grande-MT, aumenta significativamente a suspeita diagnóstica.

Como diferenciar leishmaniose visceral de outras causas de hepatoesplenomegalia e pancitopenia?

A diferenciação envolve a análise conjunta dos dados clínicos (padrão febril, astenia, perda de peso), epidemiológicos e laboratoriais (pancitopenia, VHS elevado). Exames específicos como sorologia e pesquisa de parasitas em aspirado de medula óssea ou baço confirmam o diagnóstico.

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