Leishmaniose Visceral Pediátrica: Diagnóstico e Diferenciais

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2019

Enunciado

Pacientes de 4 anos, proveniente de zona rural do interior do Mato Grosso, é internado com história de febre e emagrecimento há 3 meses. Há cerca de um mês foi internado para tratamento de pneumonia por 10 dias, recebendo antibióticos e duas transfusões de concentrado de hemácias. Após a alta, ainda mantinha febre diária e emagrecimento e a mãe percebeu aumento do volume abdominal, palidez, apatia e perda do apetite. Ao exame físico, a criança apresenta panículo adiposo escasso, palidez cutâneo-mucosa de 3+/4+, petéquias na face e membros inferiores, discreta adenomegalia inguinal. Abdome volumoso, sem ascite, com fígado palpável a 6 cm da Reborda Costal Direita (RCD) e o baço a 8 cm da RCE. Sobre o caso acima, marque V para as afirmativas Verdadeiras e F para as Falsas. ( ) O paciente apresenta quadro clínico e laboratorial compatível com o diagnóstico de linfoma, leishmaniose visceral e paracoccidioidomicose sistêmica. ( ) A hipótese de paracoccidioidomicose é improvável pela ausência de lesões mucosas e pulmonares em forma de borboleta. ( ) O diagnóstico mais provável é o de linfoma, pois tanto a leishmaniose visceral como a paracoccidioidomicose são doenças raras na infância. ( ) O mielograma com pesquisa de fungos e parasitas é o exame indicado para fazer o diagnóstico diferencial. ( ) Resultado positivo da sorologia para leishmaniose visceral (Leishmania sp) em qualquer título confirma o diagnóstico. ( ) Caso no mielograma sejam encontradas formas amastigotas de Leishmania sp, essa criança tem leishmaniose visceral 

Alternativas

  1. A) F, V, V, V, F, F.
  2. B) V, F, F, V, F, V.
  3. C) F, V, F, F, V, V.
  4. D) V, F, V, F, V, F.

Pérola Clínica

Criança de zona rural com febre crônica, emagrecimento, hepatoesplenomegalia e pancitopenia → Leishmaniose visceral (Calazar) é a principal suspeita. Mielograma com amastigotas confirma.

Resumo-Chave

A leishmaniose visceral (LV) é uma doença endêmica em várias regiões do Brasil, incluindo o Mato Grosso, e afeta predominantemente crianças. Sua apresentação clássica inclui febre prolongada, hepatoesplenomegalia, emagrecimento, palidez e pancitopenia, sendo o mielograma com pesquisa de amastigotas o padrão-ouro para o diagnóstico.

Contexto Educacional

A leishmaniose visceral (LV), ou calazar, é uma zoonose grave e endêmica em diversas regiões do Brasil, com alta incidência em crianças. A apresentação clínica é insidiosa e progressiva, caracterizada por febre prolongada, hepatoesplenomegalia, emagrecimento, anemia e pancitopenia, o que a torna um desafio diagnóstico devido à semelhança com outras condições como linfomas e outras infecções sistêmicas. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui doenças infecciosas (malária, brucelose, histoplasmose), hematológicas (leucemias, linfomas) e autoimunes. A história epidemiológica, como a procedência de zona rural e a exposição a vetores (flebotomíneos), é um dado crucial. O mielograma com pesquisa de amastigotas é o método diagnóstico mais confiável, enquanto a sorologia, embora útil, deve ser interpretada com cautela devido a possíveis reações cruzadas e títulos variáveis. Para o residente, é imperativo ter alta suspeição de LV em crianças com febre prolongada e hepatoesplenomegalia de áreas endêmicas. O manejo adequado e precoce da LV é vital, pois a doença pode ser fatal se não tratada. A compreensão das diferentes apresentações clínicas e a escolha dos exames complementares corretos são essenciais para um diagnóstico preciso e um tratamento eficaz, impactando diretamente a morbimortalidade infantil.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da leishmaniose visceral em crianças?

Os principais sinais e sintomas incluem febre prolongada e irregular, hepatoesplenomegalia progressiva, emagrecimento, palidez cutâneo-mucosa, adenomegalia e, frequentemente, pancitopenia, que pode levar a sangramentos e infecções secundárias.

Qual o exame padrão-ouro para o diagnóstico de leishmaniose visceral?

O exame padrão-ouro para o diagnóstico de leishmaniose visceral é a identificação das formas amastigotas de Leishmania sp. em aspirados de medula óssea (mielograma), baço ou linfonodos, ou em biópsias desses tecidos.

Como diferenciar leishmaniose visceral de linfoma ou paracoccidioidomicose sistêmica em crianças?

A diferenciação requer uma combinação de dados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. O mielograma é crucial, permitindo a pesquisa de amastigotas (LV), células neoplásicas (linfoma) ou fungos (paracoccidioidomicose). Sorologias específicas e biópsias de órgãos afetados também são importantes.

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