FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2023
Lactente do sexo feminino, 9 meses de vida, é admitida para internação devido a quadro de febre diária há cerca de 3 semanas, acompanhada de prostração e hiporexia. Familiares informam palidez acentuada na última semana, além de distensão abdominal. Ao exame: estado geral regular, hipoativa, reativa. Hidratada, hipocorada (+++/4+), anictérica e acianótica; AR=murmúrio vesicular fisiológico sem ruídos adventícios, sem esforço. FR= 46 irpm; ACV=ritmo cardíaco regular em 2 tempos, pulsos periféricos cheios, perfusão < 2 segundos; FC=156 bpm. Abdome globoso, indolor, normotenso, fígado a 8 cm do rebordo costal direito e baço a 10 cm do rebordo costal esquerdo. Propedêutica evidenciou: Hemograma: Hemoglobina=6,7; Leucócitos=3.578 (2% bastonetes, 45% segmentados, 52% linfócitos, 1% monócitos); Plaquetas=27.000; Mielograma=presença de parasitos amastigotas. Com relação ao quadro clínico descrito acima, e o tratamento a ser empregado nesta situação, assinale a alternativa CORRETA.
Leishmaniose Visceral (Calazar) → Tratamento com Antimonial Pentavalente (Glucantime) diluído em SG 5% e infundido em 60 min, ou Anfotericina B Lipossomal.
O diagnóstico de Leishmaniose Visceral em lactentes com febre prolongada, hepatoesplenomegalia e pancitopenia, confirmado por mielograma com amastigotas, exige tratamento imediato. A administração correta do antimonial pentavalente, diluído em soro glicosado a 5% e infundido lentamente, é crucial para minimizar a toxicidade.
A Leishmaniose Visceral (LV), ou Calazar, é uma doença parasitária grave, endêmica em diversas regiões do Brasil, causada por protozoários do gênero Leishmania e transmitida por flebotomíneos. Em crianças, especialmente lactentes, a doença pode ser rapidamente progressiva e fatal se não tratada. O reconhecimento precoce dos sinais e sintomas é vital para um desfecho favorável. A fisiopatologia envolve a infecção de macrófagos em órgãos como baço, fígado e medula óssea, levando à hepatoesplenomegalia massiva, pancitopenia e disfunção imunológica. O diagnóstico é confirmado pela detecção de amastigotas em aspirado de medula óssea, baço ou linfonodo, ou por testes sorológicos e moleculares. A apresentação clínica clássica inclui febre prolongada, perda de peso, palidez e aumento progressivo do fígado e baço. O tratamento da Leishmaniose Visceral é complexo e requer monitoramento rigoroso devido à toxicidade das drogas. No Brasil, os antimoniais pentavalentes (como o Glucantime) são a primeira linha, mas a Anfotericina B Lipossomal é uma alternativa eficaz e menos tóxica, especialmente em casos graves ou com comorbidades. A administração correta do antimonial, com diluição e infusão lenta, é um ponto crítico para a segurança do paciente e deve ser dominada pelos profissionais de saúde.
Clinicamente, febre prolongada, hepatoesplenomegalia, palidez e distensão abdominal são comuns. Laboratorialmente, a pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia) é um achado característico.
A diluição em soro glicosado a 5% e a infusão lenta (em 60 minutos) são essenciais para reduzir a incidência e gravidade de efeitos adversos, como dor no local da injeção, náuseas, vômitos, e principalmente, a cardiotoxicidade e pancreatite.
A Anfotericina B Lipossomal é preferida em casos de falha terapêutica ao antimonial, intolerância ou toxicidade grave, em pacientes com comorbidades como insuficiência renal ou hepática, em imunocomprometidos, e em gestantes ou lactentes muito jovens.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo