UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2020
Criança de 4 anos de idade, sexo masculino, procedente de Santa Inês - MA, com quadro clínico de febre há 2 meses, hepatoesplenomegalia palidez e icterícia leve. Laboratório com pancitopenia e hipoalbuminemia. Considerando o caso clínico descrito, selecione qual exame complementar é fundamental para dar continuidade na investigação do caso?
Criança com febre prolongada, hepatoesplenomegalia, pancitopenia e hipoalbuminemia → suspeitar calazar → mielograma para diagnóstico.
O quadro clínico de febre prolongada, hepatoesplenomegalia, palidez, icterícia leve, pancitopenia e hipoalbuminemia em uma criança é altamente sugestivo de leishmaniose visceral (calazar). O mielograma é o exame padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a identificação do parasita Leishmania na medula óssea.
A leishmaniose visceral (LV), ou calazar, é uma doença parasitária grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos. No Brasil, é endêmica em diversas regiões, incluindo o Maranhão, e afeta principalmente crianças. A doença é caracterizada por um quadro clínico arrastado e sistêmico, sendo crucial para residentes reconhecer seus sinais e sintomas para um diagnóstico e tratamento precoces. Clinicamente, a LV se manifesta com febre prolongada e irregular, hepatoesplenomegalia acentuada, palidez, perda de peso e, em casos avançados, icterícia e edema. Laboratorialmente, é comum encontrar pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia), hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia. Diante de um quadro como o descrito na questão (criança com febre há 2 meses, hepatoesplenomegalia, palidez, icterícia leve, pancitopenia e hipoalbuminemia), a suspeita de calazar deve ser alta. O diagnóstico definitivo da leishmaniose visceral é parasitológico, sendo o mielograma (aspiração de medula óssea) o exame complementar fundamental. Ele permite a identificação dos amastigotas de Leishmania nos macrófagos, confirmando a infecção. Outros métodos incluem testes sorológicos e moleculares, mas a visualização do parasita é o padrão-ouro. O tratamento é complexo e deve ser iniciado o mais rápido possível para evitar complicações e reduzir a letalidade da doença.
Em crianças, a leishmaniose visceral (calazar) é frequentemente caracterizada por febre prolongada e irregular, hepatoesplenomegalia progressiva, palidez cutaneomucosa, perda de peso e, em casos mais avançados, icterícia leve e edema.
O mielograma é fundamental porque permite a visualização direta dos amastigotas de Leishmania em macrófagos da medula óssea, sendo um método diagnóstico com alta sensibilidade e especificidade. É o exame padrão-ouro para confirmação parasitológica.
As alterações laboratoriais típicas incluem pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia), hipergamaglobulinemia e hipoalbuminemia. A elevação das enzimas hepáticas também pode ser observada.
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