UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Homem de 60 anos foi encaminhado ao Hospital Giselda Trigueiro com quadro de febre, astenia e emagrecimento que vem se prolongando há 3 meses. Ao comparecer ao exame clínico, apresentava-se descorado e com moderada hepatoesplenomegalia. O teste rápido para HIV foi reagente, e o aspirado de medula óssea confirmou a presença de Leishmania por exame direto com coloração pelo Giemsa. A conduta indicada para esse caso é o uso de
Coinfecção HIV-Leishmaniose visceral → Anfotericina B lipossomal é o tratamento de escolha.
Em pacientes coinfectados com HIV e Leishmaniose Visceral, a Anfotericina B lipossomal é o tratamento de primeira linha devido à sua eficácia superior, menor toxicidade e melhor perfil de segurança em imunocomprometidos, com esquemas de curta duração.
A Leishmaniose Visceral (LV), também conhecida como Calazar, é uma doença parasitária grave causada por protozoários do gênero Leishmania. No Brasil, o principal agente é a Leishmania infantum. A doença é caracterizada por febre prolongada, astenia, perda ponderal, hepatoesplenomegalia e pancitopenia. A coinfecção com o Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é um cenário clínico complexo e de crescente importância epidemiológica, pois o HIV compromete a resposta imune, favorecendo a reativação da LV e aumentando a gravidade e a taxa de recidivas. O diagnóstico da LV em pacientes coinfectados com HIV pode ser desafiador devido à apresentação atípica e à menor sensibilidade dos testes sorológicos. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação do parasita em aspirados de medula óssea, baço ou linfonodos, ou por cultura. A presença de hepatoesplenomegalia e citopenias em um paciente com HIV e febre prolongada deve sempre levantar a suspeita de LV. O tratamento da LV em pacientes coinfectados com HIV difere do tratamento em imunocompetentes. A Anfotericina B lipossomal é considerada o tratamento de escolha devido à sua alta eficácia, menor toxicidade e melhor perfil de segurança, especialmente em pacientes com comprometimento imunológico. Esquemas de tratamento mais curtos, como 7 dias, são frequentemente utilizados, seguidos por terapia de manutenção em alguns casos, para prevenir recidivas. Os antimonais pentavalentes (como o Glucantime), embora eficazes em imunocompetentes, apresentam maior toxicidade e menor taxa de cura em pacientes com HIV, não sendo a primeira opção.
A coinfecção HIV e Leishmaniose Visceral (LV) é um desafio clínico significativo, pois o HIV compromete a imunidade, aumentando o risco de LV, suas recidivas e formas atípicas. A LV, por sua vez, pode acelerar a progressão da doença pelo HIV.
A Anfotericina B lipossomal é o tratamento de primeira linha para Leishmaniose Visceral em pacientes coinfectados com HIV. Ela apresenta maior eficácia e menor toxicidade em comparação com os antimonais pentavalentes, sendo administrada em esquemas mais curtos.
A Anfotericina B lipossomal é preferível devido à sua maior eficácia, menor nefrotoxicidade e cardiotoxicidade, e melhor tolerabilidade, especialmente em pacientes imunocomprometidos como os com HIV. Os antimonais pentavalentes têm maior toxicidade e menor taxa de cura nesses pacientes.
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