Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022
Criança com 4 anos de idade, internada com quadro de febre (38-38,5°C) há 20 dias e perda de peso. Exame físico revelou criança com regular estado geral, palidez cutânea mucosa e hepatoesplenomegalia (fígado a 4 cm reborda costal direita, baço a 10 cm da reborda costal esquerda). Hemograma mostrando pancitopenia e presença de hipergamaglobulinemia.Mediante o caso apresentado, a principal hipótese diagnóstica é
Criança com febre prolongada + hepatoesplenomegalia + pancitopenia + hipergamaglobulinemia → Leishmaniose visceral.
A leishmaniose visceral (calazar) é uma doença parasitária endêmica que se manifesta em crianças com febre prolongada, perda de peso, hepatoesplenomegalia acentuada, pancitopenia e hipergamaglobulinemia, sendo uma hipótese diagnóstica crucial nesse cenário.
A leishmaniose visceral, também conhecida como calazar, é uma doença parasitária grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pela picada de flebotomíneos. É endêmica em diversas regiões do Brasil e do mundo, afetando principalmente crianças e indivíduos imunocomprometidos. A doença é caracterizada por um quadro sistêmico e progressivo. A fisiopatologia envolve a replicação dos parasitas em macrófagos do sistema reticuloendotelial, levando à hepatoesplenomegalia maciça, febre prolongada, perda de peso e pancitopenia devido à hiperesplenismo e supressão medular. A hipergamaglobulinemia é uma resposta imune comum. O diagnóstico é suspeitado pela clínica e epidemiologia, e confirmado pela detecção do parasita em aspirados de medula óssea ou baço, ou por testes sorológicos e moleculares. O tratamento da leishmaniose visceral é feito com medicamentos específicos, como antimoniais pentavalentes ou anfotericina B lipossomal, e deve ser iniciado precocemente para evitar complicações e reduzir a mortalidade. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas a doença pode ser fatal se não tratada.
Os achados laboratoriais típicos incluem pancitopenia (anemia, leucopenia, plaquetopenia), hipergamaglobulinemia policlonal e aumento das enzimas hepáticas.
O diagnóstico definitivo é realizado pela identificação do parasita (amastigotas) em aspirados de medula óssea, baço ou linfonodos, ou por métodos moleculares como PCR. Testes sorológicos também são úteis para triagem.
Os diferenciais incluem outras infecções (malária, brucelose, tuberculose miliar, mononucleose), doenças hematológicas (leucemias, linfomas), doenças autoimunes (lúpus, AIJ sistêmica) e doenças de depósito.
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