SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Escolar de 7 anos vem encaminhado para serviço de urgência, transferido de cidade de origem, no Agreste pernambucano, devido a quadro de esplenomegalia associada à pancitopenia. A criança esteve doente por 16 dias, com febre diária e hiporexia e há 2 dias o paciente reiniciou quadro de febre e astenia, com presença de alguns episódios de gengivorragia. Ao ser atendido em serviço de urgência pediátrica em Recife, foi observado que o paciente apresentava palidez cutâneo mucosa, sem queda do estado geral, com RCR 2T sopro holossitólico 3+/6+, murmúrio vesicular presente sem ruídos adventícios, com taquipneia leve, abdome globoso com hepatomegalia a 2 centímetros do RCD e esplenomegalia a 4 cm RCE. Realizados exames iniciais que evidenciaram Hb 7,1 leucometria 2300, com células habituais no esfregaço periférico e, em exame medular, plaquetas 70 mil. Realizados exames específicos que confirmaram a hipótese diagnóstica, sendo começado tratamento com boa resposta. Baseado no mais provável diagnóstico, qual seria um critério de cura durante o tratamento?
Cura na Leishmaniose Visceral = Afebrilidade + Melhora hematológica + Redução da esplenomegalia.
O critério de cura é clínico-laboratorial. A interrupção de sangramentos e a melhora da pancitopenia indicam resposta medular efetiva ao tratamento.
A leishmaniose visceral é uma doença sistêmica grave causada por protozoários do gênero Leishmania, transmitida pelo vetor Lutzomyia longipalpis. No Brasil, o quadro clínico clássico envolve febre prolongada, perda ponderal, hepatosplenomegalia e pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia). A plaquetopenia severa é um fator de risco para sangramentos graves, como os episódios de gengivorragia relatados. O tratamento de escolha no SUS envolve o Antimonial Pentavalente (Glucantime) ou a Anfotericina B Lipossomal (indicada para grupos de risco como crianças <1 ano ou >50 anos, imunossuprimidos e graves). A interrupção do sangramento, mencionada no gabarito, é um marcador direto da recuperação da contagem plaquetária e da função medular, sendo um dos critérios fundamentais para avaliar a eficácia da terapia em curso.
A resposta terapêutica na leishmaniose visceral (Calazar) é observada inicialmente pela queda da febre, que geralmente ocorre entre o 2º e o 5º dia de tratamento. Segue-se uma melhora do estado geral, aumento do apetite e ganho de peso. Laboratorialmente, observa-se a recuperação das séries hematológicas (aumento de hemoglobina, leucócitos e plaquetas), o que leva à interrupção de fenômenos hemorrágicos, como a gengivorragia citada no caso.
Não. Embora a redução da esplenomegalia seja um critério de cura, ela ocorre de forma lenta e progressiva. O baço pode levar semanas ou até meses para retornar ao tamanho normal ou estabilizar em um tamanho reduzido. Portanto, a persistência de uma esplenomegalia residual logo após o término das ampolas não significa necessariamente falha terapêutica, desde que o paciente esteja afebril e com melhora laboratorial.
Rotineiramente, não. O diagnóstico de cura é clínico e baseado no hemograma. A pesquisa de formas amastigotas em aspirado de medula óssea é reservada para casos de suspeita de recidiva ou resistência ao tratamento. Se o paciente apresenta melhora clínica evidente e normalização das citopenias, a ausência de parasitas é presumida pela resposta biológica ao fármaco (seja antimonial ou anfotericina B).
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